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15 de Abril de 2010

 

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‘Tivemos de escolher entre o mau e o pior’, dizem gregos sobre eleição

Ao 'Economia & Negócios', professor e economista afirmam que o povo está sem esperanças em relação ao futuro do país

19 de junho de 2012 | 20h 10
Giovana Schlüter Nunes, do Economia & Negócios

SÃO PAULO - Filho de mãe brasileira e pai grego, nascido em Salvador, Mark Ollandezos, de 45 anos, hoje economista da Associação das Indústrias Farmacêuticas da Grécia, acredita que, nas eleições do último domingo, os gregos foram obrigados a escolher entre duas opções muito ruins. "Tivemos de escolher entre o mau e o pior", analisa. "Acho que nas primeiras eleições [em maio], o povo votou com raiva, e nas segundas [no último domingo], votou com medo", opina Ollandezos. "Você não pode acreditar que esses dois partidos [Nova Democracia e Pasok], que criaram esse problema nos últimos trinta anos, sejam capazes de resolvê-lo."

O economista acredita, no entanto, que faz pouca diferença qual partido está no poder, "pois ainda não sabemos quais são os limites da renegociação do plano de austeridade". Ele afirma que tem pensado muito na possibilidade de sair da Grécia e conta que, se tivesse condições, não pensaria duas vezes antes de mandar sua filha de 18 anos, que está prestes a ingressar na universidade, para estudar no exterior.

"Quem pode sair do país, está saindo, e isso é uma tremenda evasão de cérebros. Os melhores estudantes e profissionais estão indo embora. Mas para mim é difícil, por causa da minha profissão e da minha esposa, que é advogada", diz.

Diante deste contexto de crise, Dimitris Anagnostópoulos, de 50 anos, professor na Universidade de Atenas e ex-professor da Universidade de São Paulo (USP), faz a ressalva: "Os gregos não sofrem todos do mesmo jeito. As classes média alta e alta sentem pouco. Mas a classe média era a mais numerosa aqui na Grécia, e ela sofreu e diminuiu muito".

Para a camada social à qual pertencem Ollandezos e Anagnostópoulos, no entanto, os efeitos da crise são mais amenos. "A gente viajava mais. Não era nada pegar um avião e dar um passeio em Roma ou Paris. Agora, em vez de fazer viagens de férias de um mês, fazemos de quinze dias, uma semana", conta Ollandezos.

Mark ressalta que antes da crise a sociedade grega era muito consumista. "Acho que agora isso tudo vai se racionalizar", opina. Anagnostópoulos compartilha a experiência: "tenho feito menos para me divertir, saído menos para jantar, estou tirando férias mais curtas. Antes tinha 2 meses, agora vou tirar uma semana", relata.

'Falta segurança, emprego e esperança'

O economista relata ainda que, com os cortes nos gastos públicos, o abastecimento de medicamentos nos hospitais está defasado. Além disso, ele conta que circulam pelo país histórias de crianças que desmaiam na escola por não terem o que comer em casa, e menciona o crescimento da incidência de suicídios no país.

Perguntado sobre o que acredita faltar na Grécia de hoje, Mark é direto: "Falta segurança, falta emprego e falta esperança".





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