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15 de Abril de 2010

 

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Vale oferece US$ 1,12 bi por grupo sul-africano

Compra da Metorex faz parte da estratégia da empresa de crescer no mercado de cobre

08 de abril de 2011 | 23h 00
Mônica Ciarelli, de O Estado de S.Paulo

RIO - Com planos ambiciosos para o setor de cobre, a Vale anunciou ontem uma oferta de US$ 1,125 bilhão pelo controle da sul-africana Metorex. Se a proposta for aceita, a mineradora fica mais perto da sua meta de produzir 1 milhão de toneladas de cobre até 2015.

Com uma produção anual na casa das 200 mil toneladas, analistas ponderam que será preciso investir pesado para ganhar fôlego no setor. "A Vale terá de sair às compras. Acho que novas aquisições devem vir na África, que é hoje a última fronteira mineral. A China já está comprando tudo por lá", previu Pedro Gladi, analista-chefe da SLW.

A aquisição faz parte dos planos da Vale de se tornar um dos maiores produtores de cobre do mundo. Em dezembro, durante a inauguração da mina de Tres Valles, no Chile, o diretor executivo de Metais Básicos, Tito Martins, disse que o objetivo da companhia é pular do décimo para o quarto lugar no ranking mundial dos produtores de cobre.

Em nota, a Vale informou que a maior parte dos ativos da Metorex está localizada perto dos atuais projetos da mineradora brasileira na África Central: Konkola North, em fase de desenvolvimento na Zâmbia, e Kalumines, em estudo de viabilidade. A expectativa da companhia com a compra é aproveitar as sinergias entre os projetos.

A mineradora brasileira impulsionou seus negócios na área de cobre após a aquisição da canadense Inco, em 2006, a maior aquisição já feita pela companhia no exterior. Em 2010, o cobre respondeu por 3,5% das receitas da Vale.

Para que a oferta de US$ 1,125 bilhão tenha sucesso, a Vale precisa da aprovação de 75% dos acionistas da Metorex com direito a voto. A companhia brasileira informou já ter recebido o aval "irrevogável" de alguns acionistas. Juntos, esses acionistas respondem por 25,4% do capital social da empresa. Se a aquisição for concluída, a Metorex vai solicitar fechamento de capital.

Governo. A conclusão do negócio também está condicionada à aprovação das autoridades da África do Sul, Zâmbia e da República Democrática do Congo, além do sinal verde dos acionistas minoritários nas empresas subsidiárias.

Em relatório, os analistas Leonardo Correa e Renato Antunes, do Barclays Capital, consideram a oferta atraente diante da demanda aquecida no setor. Para eles, o déficit de cobre pode levar até uma década para ser equilibrado. A expectativa é de que essa demanda mais aquecida se traduza em novas altas no preço do insumo nos próximos anos.

Localizada no cinturão de cobre africano, a Metorex tem duas minas em operação: Chibuluma, na Zâmbia, na qual detém uma participação de 85%, e Ruashi na República Democrática do Congo (RDC), com fatia de 75%. A primeira tem capacidade estimada de 18,6 mil toneladas métricas por ano de cobre contido em concentrado, e reservas provadas e prováveis de 3,5 milhões de toneladas. Já a operação de Ruashi tem capacidade estimada de 36 mil toneladas métricas por ano de cobre catodo e 4,5 mil toneladas por ano de cobalto. Em 2010, a Metorex registrou um faturamento de US$ 432 milhões, e sua dívida liquida totalizou US$ 63 milhões.


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