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15 de Abril de 2010

 

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Vale suspende projeto de US$ 3 bi no Canadá e estuda novos adiamentos

Com economia global desaquecida e preço do minério de ferro em queda, companhia faz revisões em seu plano de negócios, buscando a redução de custos]

16 de agosto de 2012 | 22h 15
Mônica Ciarelli, da AgÊncia Estado

RIO - O freio na economia mundial obrigou a Vale a colocar na geladeira um investimento de US$ 3 bilhões em potássio no Canadá. O projeto, conhecido como Kronau, é o primeiro efetivamente suspenso pela mineradora desde o agravamento da crise este ano.

"Certamente não será implementado agora", garantiu ontem o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, sem descartar novos adiamentos no atual cenário de incertezas. "Eu citei esse como um exemplo", disse.

Os ajustes devem ser conhecidos durante a divulgação do plano de negócios da mineradora para 2013, prevista para outubro. Além de suspender Kronau, a Vale tem outros grandes projetos sob reavaliação: Simandou, um projeto para exploração de minério de ferro na Guiné, e Rio Colorado, um projeto de potássio na Argentina.

As primeiras mudanças em relação aos investimentos foram anunciados pela Vale no final de julho, quando a companhia reviu o orçamento de quatro projetos e adiou em um ano o cronograma de entrada em operação da usina de pelotização Tubarão VIII, no Espírito Santo, e do projeto de cobre Salobo II, no Pará.

A decisão de postergar o desenvolvimento de alguns projetos tem como pano de fundo a queda livre no preço do minério de ferro, que afeta diretamente a geração de caixa da companhia. "Evidentemente, isso tem impacto nos resultados da empresa", admitiu Ferreira. Em 2011, o minério foi cotado entre US$ 170 e US$ 180 por tonelada. Hoje, o insumo gira em torno de US$ 115 por tonelada.

Essa mudança de patamar na cotação do minério foi a principal responsável pela retração de 58,7% no lucro da Vale no segundo trimestre frente ao igual período do ano passado, totalizando US$ 2,662 bilhões.

Serra Sul

Mesmo prevendo uma "melhora boa" nos preços a partir de setembro, Ferreira destacou a importância de se priorizar a redução de custos e a austeridade na alocação de recursos. O presidente deixou claro que os holofotes da companhia estão voltados para o desenvolvimento do megaprojeto Serra Sul, em Carajás, no Pará.

Orçado em US$ 19,5 bilhões, o empreendimento vai aumentar a capacidade de produção da empresa em 90 milhões de toneladas de minério de ferro. "Serra Sul é prioridade total, é intocável. É o maior projeto da história da Vale", afirmou.

Mas, o projeto também sofre entraves. Desde 30 de julho, as obras de duplicação da Estrada de Ferro Carajás, que liga as minas de Carajás, no Pará, ao Porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, estão suspensas por determinação da Justiça.

A ampliação da ferrovia é considerada fundamental por fazer parte do pacote de infraestrutura necessária ao desenvolvimento do projeto Serra Sul, na região. Segundo Ferreira, a Justiça do Maranhão deve julgar ainda esta semana o recurso da Vale contra a liminar que suspendeu as obras sob alegação de que causam impacto ambiental.

China. Apesar do cenário de incertezas no mercado externo, o presidente da Vale lembra que os estoques de minério na China vêm caindo, o que abre caminho para uma recuperação de preços. Em junho, os estoques giravam em torno de 30 dias de consumo. Hoje, estão em cerca de 20 dias.

Diante desses indicadores, o presidente da mineradora ainda acredita que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês pode ficar na casa de 8%. Mas isso depende de um maior investimento privado e também do governo local. Para o executivo, quem apostar contra a China estará equivocado. "Existe muita gente no PCC, Partido dos Contra a China. Mas, esse partido vai perder novamente", concluiu.

A redução dos estoques de minério de ferro está ligada ao maior dinamismo do segmento de construção chinesa. Ferreira observou, porém, que já existem sinais de melhora também em outros setores. "Ontem recebi alguns dados que mostram melhoras nos manufaturados", disse.

Entretanto, argumentou, ainda é cedo para garantir que os investimentos públicos e privados na gigante asiática vão sair do papel. Segundo ele, os empresários tiveram uma redução das margem e ficaram assustados. Mas, o "processo de crescimento da Ásia é inexorável", disse.





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