Vendas no varejo sobem 2,7% em janeiro
Resultado veio acima do intervalo das estimativas dos analistas , que iam de 0,8% a 2%
RIO - As vendas do comércio varejista subiram 2,70% em janeiro deste ano ante dezembro de 2009, na série com ajuste sazonal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é a maior elevação neste tipo de comparação registrada na série histórica do indicador varejista, iniciada em janeiro de 2000. Ele veio acima do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (de 0,8% a 2,00%), com mediana de 1,40%.
Na comparação com janeiro de 2009, as vendas do varejo aumentaram 10,40% em janeiro deste ano. Nesta comparação, as expectativas variavam de 7,00% a 9,40% com mediana de 8,60%. Em 12 meses, as vendas do setor acumulam alta de 6,2%.
Segundo o economista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, a alta de 10,40% nas vendas de janeiro deste ano ante janeiro do ano passado foi a mais intensa elevação, neste tipo de comparação, desde julho de 2008, quando as vendas varejistas subiram 11,3%.
As vendas do comércio varejista ampliado (que inclui automóveis e material de construção) subiram 0,8% em janeiro deste ano ante dezembro do ano passado. Nessa comparação, as vendas de veículos e motos, partes e peças aumentaram 0,7%, enquanto as de material de construção subiram 1,9%.
Na comparação com janeiro de 2009, as vendas do varejo ampliado aumentaram 10,3% em janeiro deste ano - com altas de 10,3% para veículos e de 9,5% para material de construção, no mesmo tipo de comparação. Em 12 meses, o varejo ampliado acumulou um aumento de 7,4% nas vendas.
Mercado interno
Ao detalhar o desempenho do comércio em janeiro, o técnico do IBGE considerou que os resultados do primeiro mês do ano refletem um cenário muito mais amplo, que vem se formando desde o início do ano passado. Ele comentou que, ao longo de 2009, o mercado interno brasileiro tem se fortalecido gradativamente, beneficiado por uma gama de fatores favoráveis, como crescimento massa salarial; bons desempenhos no mercado de trabalho e incentivos fiscais, por parte do governo, na compra de bens duráveis. "Sabemos muito bem que, no fundo, quem 'segurou' o Brasil durante a crise foi o mercado interno. Não fosse ele (o mercado interno) o País teria passado pelo cenário turbulento em condições muito piores", comentou.
Ou seja: para o especialista não são fatores pontuais, ocorridos especificamente no primeiro mês do ano, que levaram ao bom desempenho de janeiro. Na prática, o mês é uma espécie de recorte de um cenário muito maior, permeado de uma conjuntura favorável.
No entanto, sobre o resultado de janeiro na comparação com igual mês do ano passado, o técnico foi taxativo ao destacar o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (cujo volume de vendas subiu 10,2% ante janeiro do ano passado). "O segmento já vinha apresentando bons resultados ao longo de 2009, devido a bons resultados de emprego e de renda, que mexem muito com as vendas nesta área", resumiu.
O especialista também comentou sobre o índice de média móvel trimestral, que subiu 1,05% no trimestre finalizado em janeiro ante o trimestre terminado em dezembro. Ele considerou que este indicador, usado para mensurar tendências no varejo, mostra perspectivas muito boas para o varejo em 2010. "Se a economia crescer este ano o que está sendo previsto pelos analistas, em torno de 6%, o comércio varejista deve acompanhar esse cenário", disse, reiterando no entanto que o instituto não realiza projeções.
Supermercados
O volume de vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo em janeiro mostrou resultados positivos em todos os tipos de comparação, e foi um dos destaques do comércio varejista no primeiro mês do ano. Segundo o IBGE, na comparação com janeiro do ano passado, as vendas neste segmento subiram 10,2% em janeiro deste ano.
De acordo com o instituto, o segmento foi responsável por 47% da taxa global do varejo na comparação janeiro ante igual mês do ano passado (10,40%). Na avaliação do IBGE, este desempenho foi motivado pelo aumento do poder de compra da população, devido ao crescimento da massa de rendimento real efetivo dos assalariados. Quanto ao fato de ter crescido próximo à média nacional, a justificativa do instituto é que houve uma certa estabilidade dos preços dos alimentos ao longo de 2009. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento no segmento ficou em 8,6%.
Na comparação com dezembro do ano passado, as vendas em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo subiram 1,4% em janeiro deste ano. Em janeiro, outros segmentos também apresentaram resultados positivos nas vendas do comércio varejista ante dezembro do ano passado.
É o caso de móveis e eletrodomésticos (7,9%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,8%); livros, jornais, revistas e papelaria (3,2%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,5%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,0%); material de construção (1,9%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4%); tecidos, vestuário e calçados (0,8%); veículos e motos, partes e peças (0,7%). Apenas o volume de vendas em combustíveis e lubrificantes apresentou estabilidade (0,0%) em janeiro ante dezembro.
Tendência
O índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista, considerado o principal indicador de tendência, mostrou significativo avanço no resultado do primeiro mês do ano, com alta de 1,05% no trimestre encerrado em janeiro ante o trimestre terminado em dezembro.
O IBGE revisou para baixo o volume de vendas do comércio varejista de dezembro ante novembro. A taxa foi revisada de -0,4% para -0,7%, segundo informou o instituto.
O economista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, explicou que a revisão realizada pelo instituto é uma prática costumeira do IBGE. O técnico comentou que estas revisões são realizadas periodicamente, na medida em que novas informações são inseridas na série histórica do indicador, que é ajustada sazonalmente. "Como recebemos as novas informações referentes a janeiro, nós realizados a revisão", concluiu.
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