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Alta do dólar chega ao consumidor em menos de um mês

Macarrão, pão e outros alimentos derivados do trigo devem ser os primeiros a encarecerem

23 de setembro de 2011 | 23h 00
Saulo Luz, do Jornal da Tarde

SÃO PAULO -

A alta do dólar, caso a cotação não recue, deve chegar aos preços dos produtos importados ou que têm itens importados em sua composição em menos de um mês. A previsão é de alguns setores da indústria e dos representantes dos supermercados. Nesta sexta-feira, 23, a moeda americana caiu 3,56% e fechou em R$ 1,842. Apesar da queda, no mês o dólar acumula uma valorização de 16,22%.

Os primeiros itens que devem sofrer com a alta da moeda são pães, massas e outros alimentos a base do trigo. "O Brasil consome por ano 10 milhões de toneladas de trigo e produz cerca de 5 milhões de toneladas. Importamos metade da nossa necessidade dos nossos vizinhos - Argentina, Paraguai e Uruguai - e o preço do grão é em dólar. Com a moeda mais cara, o trigo fica mais caro e o preço de macarrão e alimentos a base de farinha também sobe", diz Cláudio Zanão, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima).

Apesar disso, ele acredita que a elevação pode ser postergada. "Os moinhos e a indústria trabalham sempre com um estoque reserva de trigo para cerca de 10 dias. Com essa instabilidade, a indústria usa esse estoque antes de reajustar o preço", afirma. "Agora, se o dólar ficar no patamar atual, esperamos um aumento em torno de 5% nos produtos à base de trigo. Isso pode acontecer já no final deste mês ou no início do mês que vem", completa.

Martinho Paiva Moreira, diretor de economia da Associação Paulista de Supermercados (Apas), também acredita que vários outros produtos devem subir, caso o dólar não volte às cotações do início do ano - entre R$1,60 e R$ 1,70. "Se o dólar se estabilizar nas cotações atuais, o consumidor vai ter de pagar mais pelos produtos importados e até por alguns nacionais que são feitos a partir de maquinário, embalagens e matérias-primas ou peças importadas", diz. "A previsão é que os preços se elevem daqui uns 30 dias."

Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) também já se prepara para um possível aumento. "A alta do dólar deverá ter impacto não só nos preços dos importados, mas também nos fabricados no Brasil que têm componentes importados. Porém, isso não deve ocorrer num período inferior a 30 dias. As peças dos eletrônicos que estão sendo fabricados já foram importadas. O problema serão os novos contratos e novas peças a serem compradas a partir de agora", diz.

Apesar disso, ele ressalta que nenhuma empresa vai reajustar seus preços sem ter ideia do novo patamar que o dólar ficará cotado. "Hoje é um sobe e desce muito grande. O melhor é esperar para ver qual vai ser a atitude do Banco Central. Não acredito que o BC queira que o dólar volte a R$ 1,55, mas também não acredito que queira que fique num patamar muito maior que R$1,80."

Viagens

Quem pretende viajar ao exterior já está pagando até R$ 2 pelo dólar em algumas casas de câmbio. Se a cotação continuar elevada, muitos podem desistir de roteiros internacionais e optar por viagens internas nas próximas férias, segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav). De janeiro a agosto, o número de viagens internacionais cresceu 15% ante o ano passado. Na corretora Confidence, que tem 120 lojas em várias cidades do País, a cotação ontem estava em R$ 1,95.

O dólar alto tende a reduzir o número de pessoas que procuram Ciudad del Este, no Paraguai, para compras. Mas o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes do Alto Paraná, Charif Hammoud, garante que o câmbio nas lojas paraguaias não deve seguir a alta do Brasil. "Enquanto a cotação ficar abaixo de R$ 2, o Paraguai vai continuar atrativo para compras." Colaborou Evandro Fadel





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