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15 de Abril de 2010

 

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BC acredita em recuperação gradual da economia doméstica

Apesar de reconhecer que a economia avança lentamente, os diretores do BC destacam que a velocidade deve ser maior no 2º semestre de 2012

19 de julho de 2012 | 10h 26
Fernando Nakagawa e Eduardo Cucolo, da Agência Estado

BRASÍLIA - O Banco Central manteve a avaliação de que a recuperação do ritmo de crescimento da economia brasileira tem ocorrido de maneira "bastante gradual". "O Copom avalia que a recuperação da atividade econômica doméstica tem se materializado de forma bastante gradual", cita a ata de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) no parágrafo 29.

Apesar de reconhecer que a economia avança lentamente, os diretores do BC destacam que a velocidade deve ser maior no 2º semestre de 2012. "Por outro lado, menciona que o cenário central contempla ritmo de atividade mais intenso neste semestre". Nesse trecho do documento, os diretores do BC afirmam que o grupo "identifica recuo na probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais".

Apesar disso, o BC "pondera que desenvolvimentos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia, e que continuam elevados os riscos associados ao processo de desalavancagem - de bancos, de famílias e de governos - ora em curso nos principais blocos econômicos".

Ainda indefinido, o cenário compõe "um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza muito acima do usual". "Para o Comitê, o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, manteve sinais favoráveis". O parágrafo termina com a observação de que "no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012".

O BC manteve uma avaliação positiva sobre as perspectivas para a atividade econômica no Brasil. Os diretores afirmam que "embora a expansão da demanda doméstica também tenha moderado, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica neste e nos próximos semestres, com alguma assimetria entre os diversos setores".

A avaliação, segundo o BC, encontra suporte "em sinais que apontam expansão moderada da oferta de crédito tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas e no fato de a confiança de consumidores e, em menor escala, de empresários se encontrarem em níveis elevados".

Além do crédito e do otimismo de consumidores e empresários, o BC nota que a demanda também será influenciada positivamente pelas transferências públicas, como os programas sociais, e pelo mercado de trabalho "que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários".

PIB potencial

O Banco Central usou os fracos números do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2012 para reafirmar que a economia brasileira segue em ritmo abaixo de seu potencial. "A taxa de crescimento acumulada em quatro trimestres recuou para 1,9%, ratificando a visão de que a economia tem crescido abaixo do seu potencial".

Ao analisar os números das contas nacionais, o BC avalia que "em suma, a demanda doméstica, impulsionada pela expansão moderada do crédito, bem como pelo crescimento do emprego e da renda, tem sido o principal fator de sustentação da atividade".

Crédito

O Banco Central manteve a avaliação de que o mercado de crédito segue com crescimento "moderado". Na ata, os diretores afirmam no parágrafo 27 que "o cenário central também contempla expansão moderada do crédito". Ainda sobre o mercado de empréstimos, os diretores repetem a avaliação de que são "oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito".

Superávit primário

O Banco Central trabalha com a hipótese de que o setor público consolidado deve entregar superávit primário - economia para pagamento de juros da dívida pública - equivalente a 3,1% do PIB nos próximos dois anos. Os diretores do BC afirmam que a casa trabalha com a expectativa de que o governo realizará essa economia de forma integral este ano, sem ajuste.

Para 2013, o BC cita que prevê superávit primário de R$ 155,9 bilhões ou cerca de 3,10% do PIB. Para 2014, a hipótese de trabalho aponta para primário de 3,10% do PIB, sem ajustes.

"O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo", defende o documento.





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