12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

‘IPCA deve estourar teto da meta em junho’, diz Mendonça de Barros

Ao contrário do mercado, economista acredita que o BC não vai elevar a Selic para combater a inflação 

15 de fevereiro de 2013 | 21h 19
Daniela Amorim, de O Estado de S. Paulo

RIO - A recente valorização do real em relação ao dólar não contribui para conter a inflação e ainda confunde as expectativas sobre o câmbio, dificultando a formação de preços. Essa é a opinião de José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e fundador da consultoria MB Associados.

Em entrevista à Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, ele refutou a aposta de aumento da taxa básica de juros nas próximas reuniões do Copom, como apontavam ontem os movimentos de alta nos contratos futuros de juros.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Por que os alimentos continuam pressionando a inflação ao consumidor apesar da queda de preços agropecuários?

São quedas relativamente recentes, e as reduções no atacado demoram a chegar no IPCA, às vezes mais de um mês, mas acabam chegando. Cai o preço de soja, mas até virar lata de óleo no varejo demora um bocado. A matéria-prima bruta é só uma fração dos custos do alimento final. É razoável supor que a pressão dos custos com alimentação vai aliviar um poucos nos próximos meses.

Por que os preços não cedem, apesar de incentivos do governo, como o da tarifa de energia?

No caso da energia, para o consumidor virá agora, no IPCA de fevereiro; na taxa de janeiro houve só uma pequena parte da queda. No caso da indústria, o repasse é lento e deve demorar a aparecer. Mas isso é apenas um item. No plano do consumidor, todo o setor de serviços está sendo pressionado. Isso não vai aliviar. O índice de difusão no IPCA de janeiro atingiu 75%, quer dizer que a cada quatro grupos de preços diferentes, três subiram. As estimativas de inflação para fevereiro e março são melhores que em janeiro, mas ainda na faixa de 0,4%. Nossa projeção do IPCA para fevereiro está em 0,31%. É um número relativamente baixo, mas ainda assim a inflação em 12 meses vai ficar subindo até o fim do primeiro semestre. Vamos passar o teto da meta. O governo sabe que isso vai acontecer e já está conformado. Projetamos estourar o teto de maio para junho, depois cai um pouquinho e termina o ano em 6%, que ainda assim é um resultado alto.

As declarações do ministro Guido Mantega, em Moscou, fizeram os contratos futuros de juros subir. É possível uma alta de juros antes do previsto?

De dezembro para cá, muito pelo que fizeram as autoridades econômicas, criou-se uma enorme dúvida sobre o que o BC vai usar: deixar valorizar o real de novo para segurar a inflação ou voltar a aumentar os juros? Até esse momento, a aparência era de que seria a primeira opção. O ministro Mantega tem manifestado a ideia de que não se deve valorizar muito o real e a declaração de hoje (ontem) é nesse contexto. Se for preciso fazer algo mais enfático em relação à inflação, que seja o juro e não deixar o câmbio ir abaixo de R$ 1,90. Nossa impressão é que, na realidade, se a inflação azedar e encorpar muito nos próximos meses, o Banco Central até pode aumentar juros, mas não acho que vai ser tão já. O BC deve protelar ao máximo na expectativa de que vai haver algum alívio no primeiro semestre na questão agrícola.

Mas só deixar desvalorizar de R$ 2,14 para R$ 1,95 já faz uma diferença na inflação?

Eu acho que tem pouco efeito na inflação, tem mais um efeito ruim nas expectativas. Antes de R$ 2,14, estava em R$ 2,05. Subiu e depois caiu, o que acho ruim. É uma volatilidade que não ajuda a ninguém, dá insegurança a agentes e analistas, que ficam em dúvida de para onde vai o câmbio. O repasse nunca é imediato por causa disso. Esses movimentos no câmbio mais atrapalham que ajudam. É preciso uma certa estabilidade em relação a essas variáveis, e não essa oscilação violenta.

Qual é a perspectiva para a inflação em 2013?

Trabalhamos com inflação de 6%. Não estamos otimistas porque a inflação não depende só de uma coisa. Quando 75% dos diferentes tipos de preços aumentam, é porque ela está mais generalizada do que parece. Isso é um problema.

Há algo que o governo possa fazer ou essas intervenções acabam só postergando novos picos na inflação?

Essas intervenções só postergam. Veja a gasolina e o diesel: o governo segurou, atrapalhou as contas da Petrobrás e o seu desempenho, mas uma hora teve que dar. E foi pouco, ainda tem que fazer mais se formos olhar o fluxo de caixa da Petrobrás e o que ela precisa investir. O postergar não ajuda. Uma vez, uma coisa pontual, tudo bem. Mas isso com regularidade não ajuda em nada. 





Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui


Fechar

Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.

Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.

Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastrado
SOU ASSINANTE - ACESSO
Esqueci minha senha
JÁ SOU CADASTRADO

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão.

Esqueci minha senha
QUERO CRIAR MEU LOGIN

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha.

ESQUECI MINHA SENHA

QUERO ME CADASTRAR

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo.

CADASTRO REALIZADO

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.


Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.

QUERO ME CADASTRAR

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo.