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Analistas preveem alta do PIB entre 0,8% e 1,2% em 2012

Número, que será conhecido nesta sexta-feira, será bem inferior aos 2,7% de 2011

28 de fevereiro de 2013 | 21h 36
Maria Regina Silva e Francisco Carlos de Assis, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Apesar dos estímulos fiscal e monetário, a economia brasileira em 2012 deve ter registrado uma expansão abaixo da esperada pelo governo, pelo menos no começo do ano passado, quando previa crescimento de 3,5%.

Para analistas e economistas consultados pelo AE Projeções, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter fechado 2012 com alta de 0,8% a 1,2%. Com base no intervalo das estimativas de 41 instituições, a mediana ficou em 0,9%, que, se for alcançada, será bem inferior aos 2,7% de 2011. O número será conhecido nesta sexta-feira, às 9 horas, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga as Contas Nacionais Trimestrais.

O crescimento projetado pelo mercado financeiro, se levada em conta a mediana da pesquisa, está muito perto do calculado pelo Banco Central (BC) recentemente, como mostrou o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro. A falta de solução da crise global associada a problemas domésticos, como o mau desempenho da produção industrial e a queda nos investimentos, levou o BC a reduzir a expectativa de crescimento de 1,6% para 1% em 2012.

Os economistas ouvidos admitem que as políticas de incentivo surtiram algum efeito positivo sobre a atividade, ao permitirem, por exemplo, a desova dos estoques do setor automotivo no ano passado. As ações, disseram, também estimularam o consumo, tanto que os gastos das famílias brasileiras são citados como importantes condutores da expansão do PIB em 2012. Do lado da oferta, na contramão, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve ter mantido fraco desempenho em 2012.

Para a equipe econômica do Banco Fator, os baixos investimentos no período deverão ter deixado o PIB com uma alta de apenas 0,9% no ano passado, taxa que representa a mediana do levantamento.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, também destaca a FBCF como uma das responsáveis pela fraca expansão esperada, de apenas 0,9% do PIB em 2012. Segundo ela, apesar da estimativa de crescimento do consumo das famílias, de 2,8%, a taxa que mede os investimentos deve ter recuado 4,6% em 2012.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, está um pouco mais otimista, ao projetar alta de 1% no PIB de 2012. Para ele, as medidas de estímulo tiveram impacto positivo sobre a economia.

Na opinião de Souza Leal, se não fossem problemas pontuais que marcaram o primeiro semestre de 2012, o ritmo da economia seria outro, bem melhor. Dentre essas questões, o economista citou a quebra de safra de arroz e soja na América do Sul, que diminuiu o crescimento do PIB em 0,4 ponto porcentual no primeiro trimestre, o protecionismo argentino e o fato de a indústria ter começado 2012 muito estocada.

Ao contrário de 2012, que teve mais surpresas negativas do que positivas, o economista tem perspectivas melhores para 2013 e acredita que os investimentos poderão ser retomados.





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