BC diz que crédito no País evolui de forma sustentável
Para Carlos Hamilton, uma moderação do ritmo de avanço da concessão de empréstimos era esperada
SÃO PAULO - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse que a evolução do crédito no Brasil tem se dado de forma sustentável. "Temos um sistema financeiro sólido, bem regulado e bem supervisionado". Segundo ele, com os avanços das condições econômicas do País nos últimos anos, marcados por bom crescimento do País e inflação sob controle, o crédito avançou 20%. "Há tendência de redução do nível de crescimento do crédito para patamares de 15% em termos anualizados", afirmou. Em sua avaliação, uma moderação do ritmo de avanço da concessão de empréstimos era "um caminho natural".
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Segundo Hamilton, a moeda estável alongou os horizontes de planejamento dos tomadores e emprestadores de crédito no Brasil. Ressaltou que as condições favoráveis da economia nos últimos anos provocou um avanço expressivo na renda média das famílias brasileira, que apresenta tendência ascendente. "Há melhora dos canais de distribuição de crédito no País. O BC vem buscando regular os serviços financeiros para a população de baixa renda", entre outros fatores, com um pacote de custos baixos de serviços e a conta simplificada.
O diretor do BC participou, nesta sexta-feira, da abertura do sétimo seminário sobre riscos, estabilidade financeira e economia bancária, realizado pelo próprio BC, em São Paulo.
‘Temos espaço para crescer’
Hamilton afirmou que dois recentes relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontaram que a economia brasileira apresenta boas condições, com destaque para a solidez do sistema financeiro nacional. "As instituições (do setor) tem elevado capital e alta liquidez em suas carteiras", comentou. "O FMI também avaliou como é eficaz a nossa rede de proteção de crédito, em particular o Fundo de Garantidor de Crédito", destacou.
Para o diretor da autoridade monetária, as boas condições da economia nacional dão lastro para que as concessões de financiamentos para famílias e empresas mantenham rota de expansão sustentável. "É natural e desejável que o mercado de crédito continue em crescimento", afirmou. "A ampliação do mercado de crédito é consequência e causa do avanço da economia", ressaltou. "Temos espaço para crescer de forma segura", disse.
Os comentários do diretor do BC ratificam a plena harmonia das avaliações do Ministério da Fazenda e do Banco Central sobre a necessidade de o crédito continuar em expansão, de forma sustentável, dado que a inadimplência voltou a recuar, mesmo que levemente. O nível de atividade do País apresenta melhores condições que as de muitos outros países avançados, sobretudo nos aspectos relacionados ao bom desempenho das contas públicas, com geração constante de superávit primário ao longo dos anos. Além disso, a inflação está sobre controle e converge para o centro da meta de 4,5%, conforme disse Hamilton há uma semana em Salvador.
O governo está atuando fortemente na campanha de estímulo aos bancos para ampliarem a concessão de crédito. Na última quarta-feira, o ministro Guido Mantega convidou os dirigentes das principais instituições comerciais do País para encontro, que teve a participação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.
Ontem, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, mandou recados indiretos ao setor financeiro, pois, para ele, existem todas as condições para empenhar mais capitais para a realização de investimentos, sobretudo em infraestrutura. "Precisamos também eliminar resquícios de práticas de um passado de elevada instabilidade macroeconômica, que ainda existem no nosso sistema financeiro", disse, sem entrar em detalhes. "Algumas práticas já não fazem mais sentido num país que domou as altas taxas de inflação do passado. Essa resistência precisa ser superada, em prol do crescimento do sistema financeiro nacional."
Inadimplência
No evento, Hamilton citou a criação do crédito consignado, que além de ter dado oportunidade a pessoas que nunca poderiam contrair um crédito, a modalidade contribuiu para a redução da inadimplência, movimento que segue como tendência.
Quanto ao aumento recente da inadimplência no segmento de crédito às pessoas físicas, em parte, disse Hamilton, se deveu a fatores específicos, devidamente identificados e tempestivamente corrigidos pela regulação prudencial. "De qualquer maneira é importante mencionar que em nenhum momento este avanço da inadimplência pôs em risco a estabilidade do sistema, que se encontra bem provisionado e bem capitalizado, portanto, plenamente capaz de acomodar eventuais perdas", disse.
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