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15 de Abril de 2010

 

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Com rombo de R$ 1,3 bi, Cruzeiro do Sul sofre intervenção do Banco Central

Inspeções detectaram fraudes parecidas com as do Banco Panamericano; família Índio da Costa será afastada da gestão

03 de junho de 2012 | 23h 09
David Friedlander, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O Banco Central decreta nesta segunda-feira, 4, intervenção no Banco Cruzeiro do Sul. A instituição carioca será colocada sob o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), o que significa que os controladores - a família Índio da Costa - serão afastados e a gestão será feita pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instituição criada com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro no País em caso de quebra de algum banco.

Inspeções feitas no Banco Cruzeiro do Sul identificaram um rombo de cerca de R$ 1,3 bilhão. A princípio, foram detectadas fraudes parecidas com as do Banco Panamericano, instituição que pertencia ao Grupo Silvio Santos, com registro de créditos fictícios no balanço. O Cruzeiro do Sul tem um patrimônio líquido negativo de cerca de R$ 150 milhões.

O Cruzeiro do Sul, que tem como um dos focos principais o crédito consignado e vinha sendo há tempos alvo de rumores sobre dificuldades financeiras, interessava ao Banco BTG Pactual - atualmente controlador do próprio Panamericano. O BTG chegou a fazer oferta de compra. No sábado à noite, no entanto, essas negociações foram encerradas, já que os valores oferecidos foram considerados baixos.

Neste domingo, 3, o presidente executivo do Cruzeiro do Sul, Luis Octavio Índio da Costa, esteve reunido com representantes do FGC até cerca de 21h30 para definir o destino do seu banco. A saída, no entanto, acabou mesmo sendo a intervenção.

Problemas. Em março, a agência de classificação de risco Moody’s chegou a rebaixar o rating do Cruzeiro do Sul, alegando que ele tinha uma dependência muito grande de "depósitos com garantia e de acordo de securitização de ativos com o Fundo Garantidor de Crédito, que ao fim de 2011 representou mais de um terço da captação total". O FGC havia aberto uma espécie de linha de crédito de até R$ 3,8 bilhões para o Cruzeiro do Sul - que havia sacado R$ 625 milhões até o fim do ano passado.

No balanço do primeiro trimestre, o Cruzeiro do Sul recebeu uma ressalva da empresa de auditoria Ernst & Young - o que significava que, na análise dos números, os auditores haviam encontrado alguma inconsistência contábil.

Nas notas explicativas, a Ernst & Young ressaltava que o Cruzeiro do Sul fez um diferimento de despesas no primeiro trimestre que não estava de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Essas perdas foram decorrentes de renegociações de operações de crédito cedidas em exercícios anteriores. O Cruzeiro do Sul depende da venda de carteiras para captar recursos.

Em dezembro, o Cruzeiro do Sul chegou a comprar uma instituição financeira - o Banco Prosper. Pagou R$ 55 milhões por 88% da instituição, que estava descapitalizada e praticamente não conseguia mais operar.





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