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Commodities agrícolas pressionaram inflação no atacado

08 de agosto de 2012 | 13h 01
VINICIUS NEDER - Agencia Estado

RIO - O avanço no preço das commodities agrícolas internacionais influenciou a aceleração na inflação no atacado registrada na primeira prévia do IGP-M de agosto, divulgada nesta quarta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Pelo segundo mês seguido, a soja em grão foi a vilã, com alta de 9,93% na primeira prévia de agosto, frente avanço de 9,00% na primeira prévia de julho. Já o milho em grão passou de uma deflação de 0,42% na primeira prévia do mês passado para uma inflação de 18,05% no indicador divulgado hoje.

"A soja, durante o mês de julho, teve altas muito fortes. Ainda estamos pegando essa elevação, mas tenho a impressão de que ela está começando a perder um pouco de força, ao contrário do mês passado, quando ela foi se acelerando ao longo do mês", afirmou o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Salomão Quadros.

Sinais de alívio na seca nos Estados Unidos - principal motivo para a elevação das cotações internacionais da soja, pois a produção norte-americana é a maior do mundo - e algumas quedas de preços nos últimos dias na Bolsa de Chicago são citados por Quadros como alguns sinais da provável desaceleração. Já no milho, também influenciado pela seca norte-americana, há uma maior defasagem de preços, e a forte aceleração vista na primeira prévia pode se confirmar para o índice fechado de agosto.

Essa inflação no atacado, medida pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), ainda não chegou ao consumidor. Outro componente do IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), desacelerou para 0,08% na primeira prévia de agosto ante 0,19% na primeira de julho. O grupo alimentação também desacelerou, de 0,61%, na primeira prévia de julho, para 0,48%, no indicador divulgado hoje.

No entanto, Quadros destacou que a inflação da soja e do milho já começa a se espalhar na agropecuária e pode chegar à ponta final. Os preços de ração subiram 4,69% na primeira prévia de agosto, contra alta de 1,68% na primeira de julho. Com isso, os preços de carne de porco e frango também subiram mais - o mesmo não ocorre com a carne bovina porque a pecuária extensiva tem peso maior na produção, explicou Quadros.

O item suínos vivos, por exemplo, passou de deflação de 2,41% (primeira prévia de julho) para inflação de 8,48% (primeira de agosto). Nos frigoríferos, a carne de porco saiu de deflação de 0,33% (primeira prévia de julho) para inflação de 4,94% na prévia divulgada hoje.



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