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Cresce o ensino de administração pública

Já são 46 graduações presenciais e 40 cursos de formação de tecnólogos e de graduações à distância

26 de setembro de 2013 | 20h 00
Daniela Rocha, especial para O Estado

SÃO PAULO - O ensino de Administração Pública está em plena evolução no Brasil. Em 2002, apenas três instituições ofereciam cursos de graduação: a Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara e a Fundação João Pinheiro, em Minas Gerais.

Hoje, já são 46 graduações presenciais mais outros 40 cursos de formação de tecnólogos e graduações à distância no recém denominado Campo de Públicas. Cinco nomenclaturas surgiram nos últimos anos - Administração Pública, Gestão Pública, Gestão de Políticas Públicas, Políticas Públicas e Gestão Social -, responsáveis por 8 mil novas vagas por ano.

Além disso, o País conta com 13 programas de pós-graduação, entre acadêmicos e profissionais, e um doutorado.

"Buscamos afirmar a identidade do campo de Públicas. Vivemos um momento importante de expansão dos cursos e defendemos a aprovação de diretrizes curriculares específicas no Conselho Nacional de Educação (CNE) e no Ministério da Educação (MEC)", comenta Fernando Coelho, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Escola de Artes Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), na zona leste da cidade.

Esse movimento é apoiado por grande parcela de universidades e alunos.

"Nas democracias modernas, seja em diversos países desenvolvidos e até em emergentes como a Argentina, está bastante claro que a administração pública é uma linha de ensino diferente da lógica das empresas", afirma Felipe Drumond, presidente da Federação Nacional dos Estudantes dos Cursos do Campo de Públicas (Feneap).

Segundo ele, apesar dos novos cursos contarem com conteúdos diferenciados, as diretrizes curriculares formais vigentes são muito focadas na administração no setor privado, o que é constatado, até mesmo, no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). "Nas provas, as perguntas são referentes a aspectos do dia a dia empresarial, ligadas a marketing e lucratividade, por exemplo", critica Drumond.

Recurso. Uma proposta para implementação de diretrizes específicas do campo de Públicas chegou ao âmbito do CNE e, a partir de audiências públicas, contou com apoio de grande número de instituições, sendo aprovada em 2010.

Porém, o Conselho Federal de Administração (CFA) e a Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad) entraram com recurso contra a iniciativa no fim de 2011.

As entidades consideram desnecessária a mudança, alegando que os cursos de Administração não são exclusivamente para atuação no meio empresarial. E avaliam ainda que a medida abre possibilidade concreta de divisão da profissão, criando uma outra categoria profissional no caso a de administrador público, interferindo, dessa forma, nos direitos e prerrogativas do Administrador.

O recurso deverá ser julgado em outubro e espera-se a homologação da decisão pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a partir de novembro.

Polêmica à parte, os cursos de administração para a esfera pública avançam e atraem cada vez mais alunos.

Em agosto, a 12.ª edição do Encontro Nacional dos Estudantes dos Cursos do Campo de Públicas (Eneap), em Caeté, Minas Gerais, reuniu mais de mil participantes de 33 instituições.

"A explosão de novos cursos expressa a pressão social e a ampliação do mercado de trabalho carente de um novo tipo de agente público que possa atender aos interesses da sociedade", avalia Carlos Vainer, coordenador do curso de graduação em Gestão Pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Trabalho. De acordo com docentes, os cursos visam a atuação no espaço público ampliado. Além de preencherem quadros nos governos e empresas públicas via concursos ou cargos comissionados, os profissionais do campo de Públicas trabalham no terceiro setor, em organizações não governamentais (ONGs) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips).

 

Há ainda oportunidades crescentes no setor privado, na interface que mantém com os governos como vendas (licitações) e relações governamentais, e ainda na defesa de interesses da sociedade como fundações empresariais e departamentos de responsabilidade social e sustentabilidade.

Ebap é pioneira no Brasil e na América Latina

A Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (Ebap) foi criada em 1952, no Rio de Janeiro. Foi a primeira escola de administração pública do Brasil e da América Latina. A Ebap surgiu por meio de uma parceria entre a FGV-RJ e a Organização das Nações Unidas (ONU) para atender à demanda por profissionais qualificados na área pública no País.

Em 2002, a Ebap passou a se chamar Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape). Nos anos 60, o curso de Administração Pública foi descontinuado, sendo denominada depois como curso de Administração.

Em 1967, a instituição foi pioneira ao oferecer mestrado em Administração Pública.

Os primeiros cursos de Administração Pública que surgiram no País acompanharam muito as tendências dos Estados Unidos que desenvolveu a formação nessa área com as características que ela tem hoje no mundo.

"O Brasil teve apoio direto de faculdades americanas, mas a ditadura interrompeu esse processo", afirma Marta Farah, que comanda o doutorado da FGV-SP, único no País.





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