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15 de Abril de 2010

 

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De olho em turistas e comércio, Reino Unido rejeita plano de exigir visto aos brasileiros

Ministra do interior articulava mudança de regras para exigir documento. Contudo, consenso é de que país precisa de emergentes

14 de março de 2013 | 14h 36
Fernando Nakagawa, correspondente

LONDRES - O Reino Unido rejeitou oficialmente o polêmico projeto que queria exigir visto aos turistas brasileiros. O anúncio foi feito pelo próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron. De olho nos gastos de viajantes e na relação comercial com países emergentes, o governo inglês derrubou o plano da ministra de Interior, Theresa May, que defendia a imposição dos vistos. A proposta de mudança foi derrotada em reunião do Conselho de Segurança Nacional.

No início do mês, o Brasil entrou no centro do debate imigratório britânico após a informação - vazada à imprensa local - de que a ministra do interior articulava mudança de regras para exigir visto dos brasileiros. Atualmente, viajantes podem ficar até 180 dias sem visto na Grã-Bretanha. O argumento de Theresa May era direto: o Brasil é o único da lista dos dez países com mais imigrantes ilegais no Reino Unido que não sofre exigência de visto. Em 2011, mais de 2 mil brasileiros foram deportados da Inglaterra - o quinto maior volume registrado pelo governo local.

O plano foi apresentado formalmente na semana passada pelo Ministério do Interior, área responsável pela imigração, em reunião do Conselho de Segurança Nacional, esfera máxima do governo britânico para o tema. "O Conselho de Segurança Nacional reuniu-se recentemente e considerou algumas questões de fronteira e decidiu não exigir vistos para os brasileiros", disse ontem o primeiro-ministro David Cameron em audiência pública no Parlamento.

"Nós queremos trabalhar com os brasileiros e também melhorar a segurança nas fronteiras", disse o primeiro-ministro, ao comentar que, ao contrário, o governo britânico trabalha para tentar aumentar o fluxo de turistas de países emergentes. "Estamos olhando para uma série de medidas para garantir que possamos atrair mais turistas dos mercados de mais rápido crescimento, como a China e outros países".

Polêmica

O debate sobre o visto brasileiro revelou uma delicada situação das autoridades britânicas. Enquanto os olhos da área econômica brilham com as perspectivas de mercados como a China e Brasil, a área imigratória está cada vez mais preocupada com o fluxo de imigrantes, especialmente da própria União Europeia, que segue em expansão geográfica, mas continua em crise econômica.

Nos últimos anos, grandes países emergentes entraram na lista de prioridades econômicas do governo britânico. Com uma Europa cambaleante do outro lado do Canal da Mancha, Londres tem tentado estreitar relações comerciais e políticas e, nesse esforço, o Brasil é um dos beneficiados: nos últimos 18 meses, 14 ministros britânicos visitaram o País, inclusive Cameron, com uma grande comitiva de empresários.

No Parlamento, minutos antes de falar sobre os vistos, Cameron defendeu a estratégia ao afirmar que a economia inglesa já sente os benefícios de uma relação mais próxima com tais mercados. "Atualmente, estamos produzindo mais carros neste país do que em qualquer outro momento da nossa história. E as exportações para todos os principais mercados emergentes, como a Índia, China, Rússia e Brasil, estão aumentando muito rapidamente", disse.

Ainda que o Brasil seja, de fato, uma das grandes fontes de imigrantes ilegais para a Grã-Bretanha, a principal preocupação nesse tema não está necessariamente do outro lado do Atlântico.

Com uma economia em frangalhos, as urnas e pesquisas eleitorais têm mostrado crescimento dos grupos políticos de direita com discurso contra os imigrantes e a integração europeia. Há, ainda, preocupação com a eventual concessão do direito de livre circulação na União Europeia - inclusive Inglaterra - para búlgaros e romenos. Nesse quadro, o partido conservador de Cameron tem perdido apoio popular e políticos têm sido pressionados a dar uma resposta ao eleitor.





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