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15 de Abril de 2010

 

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Indústria do petróleo está apreensiva com reações dos Estados sobre royalties

Governadores e parlamentares estão ameaçando suspender licenças ambientais e adotar novas taxas

11 de março de 2013 | 18h 21
Reuters

RIO DE JANEIRO - A reação de Estados produtores de petróleo à nova lei que lhes impõe perdas na arrecadação de royalties causa preocupação na indústria produtora de óleo e gás no Brasil, disse nesta segunda-feira o representante da associação do setor no país.

Governadores e parlamentares de Estados produtores estão ameaçando suspender licenças ambientais relativas à produção de petróleo e adotar novas taxas para compensar a perda de arrecadação com os royalties.

"Sempre se cria um clima de apreensão, até porque os Estados estão acenando com medidas compensatórias que impactam diretamente na indústria", afirmou à Reuters o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), João Carlos De Luca.

"A indústria que produz e gera essa riqueza não pode ser penalizada, por isso a preocupação que a gente está tendo...", acrescentou ele, durante evento do setor no Rio de Janeiro.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, suspendeu todos os pagamentos não obrigatórios do Estado após o Congresso Nacional derrubar o veto presidencial à nova lei de distribuição dos royalties.

Com a derrubada do veto, os royalties de exploração, inclusive dos contratos já em vigor, passam a ser repartidos de forma mais igualitária entre Estados e municípios produtores e não produtores. A medida impõe perdas bilionárias aos Estados produtores, e cálculos preliminares do governo do Rio apontam para perda anual de R$ 3,1 bilhões em receita.

Contudo, governos e parlamentares de Estados produtores já disseram que entrarão no Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar perdas na arrecadação de áreas já licitadas.

"Acreditamos que o Supremo possa trazer uma definição que será importante... Nós defendemos sempre que, por princípio, contratos têm que ser respeitados, o IBP defende a estabilidade do marco e o Brasil tem honrado contratos, a questão está com o Supremo."

Incertezas para novas rodadas

Ao ser questionado se as discussões poderão afetar a intenção das empresas que se preparam para o leilão de áreas de petróleo previsto para maio, De Luca reafirmou que a situação preocupa.

"Quem vai participar de uma licitação quer saber de estabilidade regulatória, confiança no marco regulatório e no marco fiscal", comentou.

"A cada dia que passa tem Estado produtor falando em mexer nessa parte fiscal, ou criar um imposto novo, quem vai fazer a sua análise para um 'bid' (oferta no leilão) vai considerar isso."

A polêmica sobre a divisão dos royalties do petróleo começou quando o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu criar um novo marco regulatório para a exploração do óleo no país, determinando que os campos do pré-sal seriam licitados pelo regime de partilha e não mais por concessão.

Os parlamentares dos Estados não produtores viram na mudança uma oportunidade de fazer uma nova divisão dos royalties entre Estados e municípios, sem qualquer privilégio para os Estados produtores (Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo), mexendo inclusive nos contratos já em vigor. Aprovada pelo Congresso, essa nova divisão foi vetada pelo ex-presidente Lula.

No governo Dilma, os parlamentares dos Estados não produtores voltaram à carga e aprovaram mais uma vez uma nova divisão dos royalties no ano passado, o que foi vetado pela presidente. O veto foi derrubado pelo Congresso na semana passada.

(Por Rodrigo Viga Gaier; Texto de Roberto Samora)





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