Tesouro volta a recusar propostas para LFTs em leilão
SÃO PAULO - O Tesouro Nacional voltou a não acatar as propostas de compras para o lote de 150 mil Letras Financeiras do Tesouro (LFT) ofertadas em leilão realizado na manhã desta quinta-feira. A não materialização do lote ofertado repete o que ocorreu no último leilão, que envolveu ofertas de LFT, realizado em 12 de julho. Na ocasião, o Tesouro também se dispunha a vender 150 mil papéis. As LFTs são títulos com remuneração corrigida pela taxa Selic e o Tesouro tem se esforçado para acelerar a redução da participação desses papéis na composição da dívida pública.
O interesse pelas LFTs é cada vez menor devido à perda de rentabilidade desses papéis diante do contexto atual de queda da Selic, a taxa básica de juros. Hoje, esta taxa está em 8% e espera-se novo corte no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 28 e 29 de agosto. A última vez em que o Tesouro Nacional vendeu LFTs foi no dia 14 de junho, quando ofertou um lote de 150 mil papéis e colocou 98.950 títulos.
Em entrevista recente à Agência Estado, o subsecretário da Dívida Pública, Paulo Valle, falou sobre a queda da procura por esse papel, mas disse que o Tesouro não pretende deixar de oferecer esse título nos leilões primários, como o que realizou nesta quinta-feira. "Mas faremos com baixo volume de oferta", informou.
Um esforço "artificial" maior do Tesouro para canalizar ainda mais a demanda por LFTs para papéis prefixados ou indexados à inflação da dívida pode onerar o custo da dívida, com os investidores cobrando prêmio maior para absorverem esses títulos de perfis diferentes. Isso explica a cautela e o gradualismo em relação à diminuição das LFTs na composição da dívida pública.
Segundo os dados mais atualizados, esses papéis indexados à taxa básica de juros (Selic) respondiam por 23,37% da Dívida Pública Federal (DPF) em junho. A fatia de junho se aproximou mais da banda inferior para o papel no Plano Anual de Financiamento (PAF), de 22% - o teto é de 26%.
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