Autoridades americanas sinalizam ajuda maior à economia
O relatório de emprego de junho, que apontou a criação de 80 mil vagas no mês e manteve a taxa de desemprego estável em 8,2%, foi o catalisador para a mudança no cenário da política monetária americana
NOVA YORK - As declarações das autoridades do Federal Reserve feitas entre ontem e hoje, à luz dos números mais recentes do relatório de emprego de junho, divulgado na última sexta-feira, sinalizaram que o banco central dos Estados Unidos está mais próximo de adotar novo estímulo para impulsionar o crescimento da economia americana.
Apenas algumas semanas após ter estendido até o fim deste ano a chamada Operação Twist, pela qual o Fed reinveste os recursos dos títulos que vencem no curto prazo em bônus de mais longo prazo, as expectativas de que o Fed teria de fazer mais para responder à deterioração no ambiente econômico vinham crescendo.
Muitos economistas acreditam que o próximo passo será o Fed novamente ampliar seu balanço patrimonial – atualmente em US$ 9,1 trilhões – para voltar a comprar Treasuries. O relatório de emprego de junho, que apontou a criação de 80 mil vagas no mês e manteve a taxa de desemprego estável em 8,2%, foi o catalisador para a mudança no cenário da política monetária americana.
"Estamos realmente à beira disso (de adotar uma nova rodada de estímulo monetário). Se os indicadores econômicos continuarem a vir abaixo das expectativas e se nossa visão for de que não esperamos fazer avanços no nosso mandato, então eu acho que precisamos de uma política mais acomodatícia", disse ontem o presidente do Federal Reserve Bank de São Francisco, John Williams.
Williams tem direito a voto nas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) neste ano. Ele ressaltou que o Fed não está cumprindo nenhum dos dois mandatos de inflação e emprego que deve buscar e afirmou que o banco central dos EUA provavelmente fará "apenas um progresso muito limitado nessas metas ao longo do próximo ano".
Por causa disso, destacou Williams, "é essencial que nós (o Fed) forneçamos acomodação monetária suficiente para manter nossa economia avançando na direção dos nossos mandatos para emprego e estabilidade de preços".
Segundo ele, se o Fed precisar ampliar seu estímulo, instrumento mais eficaz seriam compras adicionais de ativos de mais longo prazo, incluindo bônus das agências hipotecárias dos EUA.
Apoio
A posição manifestada hoje por Williams mostra uma evolução porque o presidente do Fed São Francisco não apoiava a ideia de mais estímulo em comentários feitos durante a primavera (no hemisfério norte). Suas preocupações foram reforçadas pelas declarações de outro integrante do Fed, Charles Evans, que preside o Federal Reserve Bank de Chicago e não tem direito a voto nas decisões do Fomc este ano. Em Bangcoc, Evans declarou que os EUA não estão fazendo "um progresso claro e constante na direção de um crescimento mais forte".
"Eu apoio usar o balanço do Fed para fornecer acomodação adicional (para a política)", afirmou, manifestando seu apoio também à decisão tomada em junho pelo Fed de estender a Operação Twist até o fim deste ano. "Eu teria preferido um passo ainda mais forte, como a compra de mais ativos lastreados em hipotecas, mas precisamos de mais estímulo de uma forma ou de outra.
O presidente do Federal Reserve Bank de Boston, Eric Rosengren, que também falou em Bangcoc, disse que o que o Fed vai fazer com sua política dependerá dos indicadores. Em seu discurso, ele manifestou preocupação, assim como Williams e Evans, com os riscos ao cenário americano a partir dos problemas relacionados aos gastos do governo dos EUA e com a crise financeira ainda não resolvida na Europa.
"Se houver um choque financeiro sério vindo da Europa, é bem provável que houvesse um grande impacto nas ações do setor financeiro e no mercado acionário em geral nos EUA", alertou Rosengren. "Essas quedas nos preços das ações poderiam impactar os consumidores e as empresas nos dois lados do Atlântico", afirmou.
Na contramão das outras três autoridades do Fed que se manifestaram nas últimas 24 horas, o presidente do Federal Reserve Bank de Richmond, Jeffrey Lacker, manifestou uma postura contrária e sugeriu, em entrevista à rádio Bloomberg, que a atual taxa de desemprego da economia americana pode estar perto da sua taxa natural. Para Lacker, que tem direito a voto nas decisões do Fomc neste ano, por causa disso o Fed poderá ter de começar a apertar sua política no fim de 2013.
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