Recuperação de preços incentiva exportação de açúcar da Índia
LONDRES, 3 JUL - A recuperação nos preços do açúcar e a rúpia fraca aumentaram ainda mais os incentivos para exportações da Índia para mercados como o Irã, disseram traders nesta terça-feira.
Consultas iranianas sobre o açúcar da Índia aumentaram uma vez que o salto dos preços da commodity para a maior alta em dois meses e a rúpia fraca melhoraram as perspectivas de exportação de açúcar indiano a granel.
"Enquanto o mercado do açúcar sobe, cria-se mais oportunidade para o açúcar refinado de baixa qualidade da Índia", disse um trader em Londres.
"Os indianos vão avaliar a paridade de exportação, apoiados pelas vendas de açúcar refinado de baixa qualidade para o mercado interno ou para exportação".
Alimentos não estão sob as sanções ocidentais que visam deter o polêmico programa nuclear iraniano, mas o país pagou preços altos por grãos e pelo açúcar, como uma solução alternativa ao congelamento das transações financeiras decorrentes das medidas.
Teerã, no entanto, se tornou cada vez mais hábil em contornar as restrições impostas pelas sanções, criando pagamentos alternativos, a fim de garantir suprimentos de primeira necessidade.
"Os preços do momento fazem com que os brutos, que na realidade são refinados indianos de baixa qualidade, sejam competitivos, muito mais baratos que o bruto do Brasil", disse uma fonte trader de açúcar.
"Não há razão para supor que o açúcar será recusado pelo Irã, que pode refiná-lo para atender suas necessidades", disse a fonte, referindo-se ao açúcar refinado de qualidade superior que o Irã normalmente consome.
O contrato spot do açúcar bruto, negociado na bolsa de Nova York (ICE) alcançou pico de dois meses, a 21,96 centavos de dólar por libra-peso em 28 de junho, sustentado por uma escassez de suprimentos a curto prazo, após fortes chuvas atrasarem a colheita no Brasil, importante produtor da commodity, e contribuírem com um grande acúmulo de embarcações nos portos.
O primeiro contrato do açúcar alcançou a marca de 21,78 centavos de dólar, uma alta de 0,38 centavos, ou 1,8 por cento na tarde desta terça-feira.
Traders disseram que o atual período de monções na Índia, segundo maior produtor do mundo, provavelmente complicaria os envios da exportação, mas que se os preços favorecessem a exportação do açúcar indiano soluções seriam encontradas, incluindo o uso de contêineres.
Eles disseram que o Irã, que normalmente importa açúcar bruto do Brasil, não havia conseguido tanto do produto quanto inicialmente desejava, o que pode indicar que, em breve, o país pode voltar a procurar a Índia.
"Em termos do bruto a granel, eles não negociaram tanto quanto nós esperávamos que fizessem", disse uma fonte do mercado.
Uma fonte do mercado estimou que 163 mil toneladas de açúcar bruto a granel seriam enviados para o Irã em julho, após as 71 mil toneladas em junho.
NAVIO A CAMINHO DO IRÃ
Um navio chamado Tycoon, contratado por uma empresa de comercialização, deveria carregar cerca de 28 mil toneladas de açúcar bruto no porto de Santos, no Brasil, tendo anteriormente recebido cerca de 35 mil toneladas em Paranaguá, e deveria partir nos próximos dias para o porto de Bandar Imam Khomeini no Irã, disseram traders.
Bandar Imam Khomeini é um dos principais terminais de carga geral do Irã, e normalmente é usado pela compradora estatal de commodities, a Government Trading Corporation (GTC) of Iran, cujas compras incluem açúcar e grãos.
A GTC deve ter um papel importante nas importações de açúcar dos próximos meses, enquanto a república islâmica tenta assegurar os estoques, a fim de evitar agitações.
Não ficou imediatamente claro se o clima seco no Brasil seria capaz de diminuir a fila de embarcações carregando açúcar, uma vez que as colheitas deveriam ganhar força.
No entanto, uma fonte sênior do transporte marítimo no Brasil disse que a fila atual de embarcações nos portos de açúcar não era extraordinária para esta época do ano.
(Reportagem de David Brough e Jonathan Saul)
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