Superávit comercial da China salta com fraqueza nas importações
PEQUIM, 10 JUL - Os dados da balança comercial de junho da China, divulgados nesta terça-feira, causaram ansiedade sobre a força da demanda doméstica na segunda maior economia do mundo, ao passo que as importações cresceram apenas metade do ritmo esperado, sinalizando uma necessidade de Pequim tomar mais ações para impulsionar o crescimento.
Autoridades apontaram para a crise da dívida na União Europeia (UE) -o maior parceiro comercial da China- como essencial para Pequim atingir sua meta de 10 por cento de crescimento das trocas comerciais este ano, com a queda nas vendas na UE no primeiro semestre de 2012 fazendo com que os Estados Unidos superem o bloco como o principal destino das exportações chinesas.
As importações, na base anual, cresceram 6,3 por cento em junho, número muito distante da previsão de economistas para aumento de 12,7 por cento e dos 12,7 por cento de alta em maio, indicando tanto uma queda na demanda doméstica como queda nos estoques dos exportadores, preocupados com a fraqueza do crescimento de novas encomendas.
"No mundo 'acentuadamente negativo' de hoje, isso colocará o foco sobre o ângulo da demanda doméstica e sobre a história de forte desaceleração", afirmou à Reuters o chefe de pesquisas econômicas para a Ásia do ING em Cingapura, Tim Condon.
Os dados de importação ofuscaram uma surpresa no crescimento das exportações de junho de 11,3 por cento ante expectativa de alta de 9,9 por cento, deixando o superávit comercial em 31,7 bilhões de dólares, ante 18,7 bilhões de dólares em maio.
"As exportações vieram acima das expectativas, mas isso não significa que nós não devemos ficar preocupados com as exportações", afirmou o economista do HSBC em Pequim Sun Junwei.
As exportações da China para a UE caíram 0,8 por cento no primeiro semestre de 2012, para 163,1 bilhões de dólares, enquanto para os Estados Unidos elas cresceram 13,6 por cento, para 165,3 bilhões de dólares. A China importou 65,8 bilhões de dólares em produtos norte-americanos nos primeiros seis meses do ano, uma alta de 7,9 por cento.
(Reportagem de Kevin Yao)
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