Economia deve perder força e previsão para inflação é mantida, diz BC Europeu
Cenário dá espaço para novos cortes na taxa básica de juros; projeções mostram que zona do euro terá contração econômica de 0,3%
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LONDRES - Especialistas consultados pelo Banco Central Europeu (BCE) reduziram a previsão para o crescimento da zona do euro neste ano e no próximo sem mudar as estimativas para a inflação, o que dá à instituição mais espaço para cortar a taxa básica de juros novamente. Os resultados da pesquisa, que é realizada pelo BCE a cada três meses, foram divulgados no boletim mensal da instituição publicado nesta quinta-feira.
Segundo um relatório do BCE, as projeções agora são de que a economia do bloco terá contração de 0,3% em 2012, maior do que a de 0,2% prevista anteriormente, e crescerá 0,6% em 2013, em vez de 1,0% como calculado antes. A estimativa para o índice de preços ao consumidor harmonizado (HCPI, na sigla em inglês) é de alta de 2,3% neste ano em média na zona do euro, a mesma taxa prevista no relatório anterior. Em 2013 a inflação deverá ficar em 1,7% em média, levemente menor do que a projeção prévia de 1,8%.
"Os principais fatores por trás das revisões para baixo são a intensificação da consolidação fiscal em alguns países da zona do euro e as maiores incertezas sobre a solução da crise de dívida soberana", disse o BCE no boletim. A previsão de inflação está em linha com as estimativas do BCE de desaceleração durante 2012 e redução para menos de 2,0% em 2013. A meta do BCE é manter a inflação em menos de 2,0% no médio prazo.
Segundo o BCE, a inflação vai perder força em razão de um declínio nos preços da energia e das commodities, das fracas perspectivas de crescimento e das pressões salariais mais limitadas. A previsão de longo prazo para a inflação, que vai até 2017, permaneceu inalterada em 2,0%.
O BCE cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para a mínima recorde de 0,75%, em julho, citando o enfraquecimento da inflação e do crescimento econômico. Metade dos 28 economistas consultados pela Dow Jones no mês passado afirmaram que o BCE cortará a taxa de juros novamente até o fim deste ano.
Países resgatados
Os países da zona do euro que receberam assistência financeira internacional precisam aderir rigidamente aos planos de consolidação fiscal impostos, afirmou o BCE. A afirmação reforça a oposição do BCE ao afrouxamento das reformas em países que foram resgatados.
"Garantir aderência rígida aos caminhos de consolidação fiscal acordados continua sendo essencial para a obtenção dos benefícios dos esforços de consolidação implementados até agora e ancora as expectativas do mercado financeiro", afirmou o BCE. Os cinco países que estão sob programas de assistência financeira ou pediram um são Irlanda, Grécia, Espanha, Chipre e Portugal.
Segundo o BCE, os cinco países fizeram algum progresso nas reformas e deverão continuar assim no próximo ano. No entanto, "esforços consideráveis ainda são necessários para aumentar a competitividade, reduzir o desemprego e restaurar a sustentabilidade das finanças públicas".
Enquanto Irlanda, Grécia e Portugal estão sob programas de assistência financiados conjuntamente pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), o programa da Espanha é financiado apenas pela UE e tem como alvo o sistema bancário do país. O Chipre pediu ajuda da UE e do FMI no fim de junho. As informações são da Dow Jones.
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