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15 de Abril de 2010

 

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Fed assume que nova intervenção econômica é ‘certamente possível’

Ben Bernanke disse em depoimento à Câmara que ações adicionais serão concretizadas se o Federal Reserve concluir que nível de emprego não teve progresso

18 de julho de 2012 | 14h 24
Álvaro Campos, Danielle Chaves e Renan Carreira, da Agência Estado


WASHINGTON - O presidente do Federal Reserve dos EUA, Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira que novas ações de estímulo à economia são prováveis. Durante depoimento no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, ele foi questionado sobre essa possibilidade. "É certamente possível que nós adotemos ações adicionais se concluirmos que não estamos fazendo progressos em direção a níveis maiores de emprego", comentou.

Ele também disse que uma das principais ameaças à economia norte-americana é o chamado "impasse fiscal", com o Congresso e a Casa Branca não chegando a um acordo para reequilibrar o orçamento federal, o que pode desencadear cortes automáticos de gastos e aumentos de impostos. "Sem uma ação, o impasse fiscal provocará danos significativos".

No caso da dívida pública norte-americana atingir o teto atual e não houver um acordo, entrarão em vigor, de uma vez, as ações automáticas para conter o déficit, equivalentes a cerca de 5% do PIB. Segundo Bernanke, isso desencadearia uma recessão no país.

O deputado democrata Michael Capuano questionou Bernanke sobre qual seria o meio termo entre o Congresso e a Casa Branca para solucionar o impasse fiscal. "Eu não tenho um número mágico. Eu simplesmente acredito que vocês deveriam adotar uma postura mais suave para atingir a sustentabilidade fiscal", respondeu.

Transparência

Auditorias do governo sobre as decisões monetárias poderiam expor o Fed a pressões políticas, afirmou Bernanke. Segundo ele, o Fed já é auditado e eliminar uma isenção para deliberações de política monetária colocariam sob risco a independência do banco central.

Um projeto de lei apresentado pelo deputado republicano Ron Paul acabaria com a isenção e aumentaria a supervisão do governo sobre o Fed. "Eu concordo plenamente com Paul de que o Federal Reserve precisa ser transparente e responsável", disse Bernanke. Mas, segundo o presidente do Fed, isso já acontece. Por exemplo, o Fed publica as atas das reuniões, faz projeções trimestrais e concede entrevista à imprensa quatro vezes por ano.

Além disso, a operações do Fed são revisadas por uma empresa de auditoria externa independente e o Escritório de Contabilidade do Governo também audita as finanças do Fed, incluindo as operações de política monetária, mas isso não avalia as decisões políticas por trás delas. "Eu sinto que é um erro eliminar a isenção das deliberações de política monetária, o que efetivamente criaria uma influência política ou um efeito de pressão política sobre as deliberações do Federal Reserve", disse Bernanke.

Embora tenha concordado com Paul sobre a necessidade de o Fed ser transparente e responsável, Bernanke afirmou que evidências mostram que os bancos centrais que tomam decisões puramente baseadas em fatores econômicos "alcançam inflação mais baixa e resultados econômicos melhores no longo prazo".

Paul respondeu dizendo que nenhuma auditoria é completa sem uma revisão da política monetária - o centro da missão do Fed. "Quando o Fed fala sobre independência, o que realmente está falando é sobre segredos, não transparência", criticou Paul.

Longo prazo

Em seu depoimento Bernanke também disse que os líderes europeus ainda não estão perto de uma solução para estabilizar os problemas da dívida na região.

"Não acredito que eles estejam perto de chegar a uma solução de longo prazo que vai resolver o problema e, até que encontrem essas soluções de longo prazo, eles vão continuar a enfrentar períodos de volatilidade do mercado financeiro", avisou Bernanke à Câmara.

Sabatina

Em seu segundo dia de testemunho - ontem Bernanke falou ao Senado -, o presidente do Fed respondeu a uma série de questões dos legisladores, desde os efeitos do padrão-ouro até se o governo federal deve ser capaz de auditar as deliberações de política monetária do banco central.

Bernanke pediu novamente aos legisladores para colocar o orçamento dos EUA em um caminho gradual para a sustentabilidade. Os legisladores pressionaram o presidente do Fed a dar sugestões específicas de como evitar os grandes aumentos de impostos e cortes de gastos programados para entrar em vigor no início do próximo ano, mas Bernanke defendeu uma transição que proteja a economia de entrar em recessão.

"Não estou dizendo que não se deve consolidar o orçamento, apenas não quero que tudo aconteça em um dia", afirmou. "Acho que se deve ter uma abordagem mais suave na busca da sustentabilidade fiscal."

Bernanke também repetiu sua defesa dos programas de compra de bônus anteriores, mas avisou que a política monetária por si só não tem como sustentar a recuperação econômica.

"Os esforços anteriores tiveram efeitos produtivos", disse Bernanke. O Fed tem sido capaz de reduzir as taxas de juro e melhor os preços dos ativos, observou ele. Porém, o banco central não se importaria com alguma ajuda. "Gostaria de ver outras partes do governo também desempenharem um papel." As informações são da Dow Jones.





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