Governo argentino quer ampliar congelamento de preços
Comércio, indústria e fornecedores de alimentos e bebidas estão na mira do governo
O governo argentino de Cristina Kirchner prepara um plano para controlar a inflação com uma arma obsoleta: a ampliação do congelamento de preços. Comércio, indústria e fornecedores de alimentos, bebidas, artigos de higiene, limpeza e até automóveis estão na mira do governo para que seus preços de mantenham estáveis depois do dia primeiro de abril, data original para a expiração do atual pacto.
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Fonte oficial confirmou ao Broadcast que a ideia é "renovar e ampliar" os acordos que hoje envolvem apenas as redes de supermercados e de eletrodomésticos. A fonte evitou a palavra "congelamento" e preferiu a expressão de "boa vontade dos agentes econômicos" do país. Nos últimos dias, a imprensa local chegou a ventilar versões de economistas afins ao governo de que a presidente Cristina Kichner está preocupada com a alta dos preços e havia encomendado um plano integral para combater o problema.
Porém, na visão oficial, as distorções de preços são geradas pela "ganância empresarial" e não pela falta de política macroeconômica. Por isso, no mercado não há expectativas de que o chamado plano passe da receita aplicada nos últimos tempos: intervenção nos mercados, pressão sobre os empresários e imposição de controles de preços.
"O problema é o diagnóstico e quando o médico erra nisso, a probabilidade de que acerte o medicamento para curar o doente é muito difícil", comparou o economista Aldo Abram, da Fundação Liberdade e Progresso. Ele afirmou que o governo não relaciona a inflação com a enorme emissão monetária do Banco Central para financiar os excessos de gasto. "Essa visão torna difícil a solução do problema", ressaltou.
"Mesmo que o governo consiga baixar as reivindicações de reajustes salariais (atualmente entre 25% a 30%) e arrancar o compromisso dos empresários de não subir os preços de suas tarifas e produtos por um período, a panela de pressão da inflação vai continuar porque não há uma mudança na atitude oficial de reduzir o gasto público e acompanhar os acordos de preços com outras medidas", ponderou o analista.
Eleições. A expectativa no mercado e entre empresários ouvidos pelo Broadcast é de que o governo pressione para manter os preços até outubro, quando haverá eleições parlamentares para renovar um terço do Senado e metade da Câmara. Estas eleições são consideradas cruciais para definir o futuro político da presidente Cristina Kirchner.
Reeleita em outubro de 2011 com 54% dos votos, Cristina não pode apresentar-se a uma terceira eleição por determinação da Constituição Nacional. No entanto, seus seguidores defendem uma reforma constitucional para habilitá-la a concorrer às eleições presidenciais de 2015. Para isso, a Frente pela Vitória (FPV) precisa obter dois terços dos assentos de ambas as Casas. Em vésperas de eleições, os analistas acreditam que o governo deve ampliar o gasto em lugar de cortá-lo.
"Não há vontade política de decidir sobre nenhuma das causas principais que aumentam a inflação. Não há possibilidade de reduzir o crescimento do gasto de maneira importante, tampouco de incrementar a arrecadação e o único financiamento continua sendo a emissão monetária", afirmou o economista Tomás Bulat, em artigo publicado pelo jornal El Cronista. Bulat afirmou que as medidas necessárias para domar a inflação não estão na agenda do governo e a tática será a de empurrar o problema até as eleições.
Pesquisa. Neste cenário, ninguém aposta em uma inflação real inferior à de 2012 que chegou a 25,6%, conforme média apurada pelas oito consultorias privadas que divulgam seus índices por meio da bancada opositora no Congresso Nacional. A alta apontada pelo governo foi apenas de 10,8%. Pesquisa divulgada nesta terça pelo Centro de Investigação em Finanças da Universidade Torcuato Di Tella (CIF/UTDT) sobre as expectativas da população sobre a inflação apontou alta de 33% em 2013.
Embora elevada, a projeção ficou 2,3 pontos porcentuais inferiores ao mês de janeiro. "As expectativas de inflação se mantêm altas, mas estáveis em torno de 30%", afirmou o diretor do centro, Guido Snadleris. A pesquisa foi elaborada pela consultoria Poliarquia sobre a base de 1.153 entrevistados nos centros urbanos da Argentina.
O congelamento de preços na Argentina foi anunciado na primeira semana de fevereiro por um período de 60 dias. A expectativa é sobre uma explosão dos preços no dia seguinte. Por isso, as fontes ouvidas acreditam que a prorrogação do congelamento será inevitável.
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