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15 de Abril de 2010

 

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Pipocas são vítimas de protecionismo argentino

Governo de Cristina Kirchner bloqueia a entrada de máquinas de produção industrial de pipoca: Starbucks enfrenta problemas com copos importados 

17 de julho de 2012 | 22h 36
Ariel Palacios, correspondente

BUENOS AIRES - A bateria de medidas protecionistas impostas pelo governo da presidente Cristina Kirchner está a ponto de liquidar um dos prazeres dos espectadores dos cinemas argentinos: a pipoca. Esta iguaria fast-food, inexoravelmente associada ao ato de assistir um filme, está em vias de extinção na Argentina, já que o secretário de Comércio Interior do país, Guillermo Moreno, além de limitar a entrada de produtos como fraldas, autopeças, seringas, remédios (inclusive oncológicos), pneus e livros, entre centenas de outros manufaturados ou insumos estrangeiros, também está bloqueando a entrada de máquinas de produção industrial de pipoca, importadas dos EUA, China e Rússia.

Os gerentes de cinema sustentam que a venda de pipoca é um dos pilares das salas de cinema na Argentina. Sem a venda desse produto para os espectadores, as entradas de cinema custariam 50% a mais no país.

"O único consolo que temos é que a situação poderia ser pior, caso o milho de pipoca fosse importado. Mas, por sorte, ele é 100% argentino", explicou ao Estado em off o gerente de um cinema no bairro da Recoleta.

Recentemente, os cinemas argentinos também haviam amargado problemas para renovar as poltronas das salas, já que também são um produto importado que estava barrado na alfândega.

Em dezembro último, a presidente Cristina Kirchner havia dado o tom de sua política econômica: "Não queremos importar um prego sequer!"

Copos nacionais. As barreiras impostas às importações também causaram problemas para a rede de cafés Starbucks na Argentina. Na terça-feira, a empresa divulgou pelo twitter e por seu blog um pedido de "perdão" aos clientes pela escassez dos tradicionais copos de papelão da Starbucks com o logotipo da empresa.Segundo a empresa, os produtos que eram importados tiveram "uma interrupção temporária do estoque", fato que provocou a necessidade de usar material nacional. Os copos nacionais eram idênticos, embora brancos e sem logotipo algum.

"Estamos trabalhando para que esta situação seja normalizada o mais rápido possível e que cada um de vocês possam desfrutar sua bebida como sempre", informou a Starbucks.

O comunicado desatou a fúria nos usuários das redes sociais e nos leitores de meios digitais. Imediatamente, milhares de pessoas - embaladas pelo nacionalismo econômico que cresceu nos últimos anos - escreveram irritadas mensagens no twitter protestando contra o "pedido de perdão" da Starbucks, considerando-o "ofensivo" perante os produtos Made in Argentina. A forte reação negativa na opinião pública levou a empresa a pedir perdão por seu perdão inicial.

O gerente-geral da Starbucks, Diego Paolini, explicou que o pedido de desculpas pelo uso de copos nacionais havia sido "um erro de redação no comunicado". O executivo ressaltou que 70% dos produtos usados pelos cafés Starbucks na Argentina são de origem nacional.

O affaire Starbucks tornou-se um dos assuntos mais comentados na rede de micro-blogging Twitter com as hastags #labandadelStarbucks e #pedimosdisculpas, que foram trending topics na Argentina.





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