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'A burocracia tributária é um peso morto', diz Bernard Appy

ALEXA SALOMÃO - O ESTADO DE S. PAULO

31 Agosto 2014 | 17h 57

Diretor da LCA Consultores atribui baixo avanço do PIB a falta de investimento, queda na produtividade e desconfiança do empresário

 Por que o Brasil patina? “Historicamente, o Brasil vem tendo um crescimento aquém do esperado por causa de três fatores: baixa taxa de investimento, porque o País poupa pouco, queda na produtividade e, mais recentemente, aumento da desconfiança entre os empresários, o que também contribui para prejudicar as decisões de investimento. Essa desconfiança foi provocada pela deterioração e pela falta de transparência nas contas públicas e por uma inflação renitente, mesmo com o represamento das tarifas públicas, o que alimenta a expectativa de que haverá inflação no futuro. A esses problemas, boa parte deles estruturais, somou-se outro fator. Houve o esgotamento de um ciclo que ocorreu nos últimos anos puxados pelo crescimento da economia mundial, até a crise, e pela expansão forte do crédito no Brasil, especialmente para pessoas físicas. À medida que o endividamento das famílias aumentou, perdeu-se espaço para que essa expansão fosse mantida nos moldes em que vinha ocorrendo.”

Como reverter o problema? “Em primeiro lugar, é preciso recuperar a credibilidade mediante ajuste das contas públicas. O ajuste não precisa ser imediato. Pode ser feito no horizonte de um mandato ou até além. O controle das despesas contribuiria para o aumento da poupança, criaria condições para a expansão do investimento e abriria espaço para a queda da taxa de juros - consequentemente, para a retomada de um novo ciclo de crédito para as famílias. Isso seria possível porque taxas de juros mais baixas implicam prestações menores. Também seria preciso fazer uma agenda de microrreformas que pudesse elevar a eficiência e a produtividade do País. Um das mais importantes é a reforma tributária - que aliás nunca foi tão discutida numa campanha eleitoral como agora. A burocracia tributária é um peso morto. Eleva os custos das empresas e alimenta contenciosos judiciais, que também consomem tempo e dinheiro. O Brasil acumula distorções por não se mexer na estrutura tributária.”