A corrida dos robôs feitos de sucata

Competidor de Teresina usou pote de macarrão, lata de energético, tampas de garrafa e colheres de café na construção de seu 'atleta'

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2013 | 02h06

Quem chega ao pavilhão principal da feira de tecnologia Campus Party vê, próximo à entrada, garotos debruçados sobre equipamentos. De longe, é possível apenas notar um emaranhado de fios, placas de circuito e peças que algum dia fizeram parte de um equipamento eletrônico. De perto, são pequenos robôs em fase de construção dando seus primeiros passos.

Eles participarão hoje de uma competição em que sairá vencedor aquele que conseguir completar um percurso de cerca de dois metros sem tropeçar. A pista é cercada por um muro vermelho, de 20 centímetros de altura, e termina em uma bifurcação. O robô tem de ir na direção de uma luz forte que estará posicionada em uma das saídas.

"A placa controladora arduino, com a ajuda de sensores, é o que faz ele perceber a intensidade da luz", explica Sileide Campos, 22 anos, estudante de engenharia da computação. Ela veio de Salvador para participar da Campus Party e trouxe pronto o robô Tiffany (batizado em homenagem à "noiva de Chucky", do filme que leva o mesmo nome).

Reconstrução. Mas robôs prontos não podiam entrar no desafio. Sileide, então, decidiu desmontá-lo. Ao lado de outra colega, ela está construindo outro robô - com restos de Tiffany e novos materiais.

Pela segurança com que explica o funcionamento de seu projeto e por seu histórico, Sileide tem pose de forte candidata. Ela já ficou em terceiro lugar numa competição da faculdade com um robô cor-de-rosa (para dar o toque feminino que ela, no começo, evitava diante de tantos colegas homens).

Além de inteligência, os 12 robôs que participam do desafio precisam ser feitos de materiais reciclados. Nesse quesito, Antônio José, que veio de Teresina para a Campus Party, esmerou-se. O robô dele é feito de um pote de macarrão instantâneo, uma lata de energético, quatro tampas de garrafa e cinco colheres de café. As rodas são os fundos de latinhas de refrigerante.

"Tentamos tirar essa imagem do robô dos Jetsons", diz Rodrigo Medeiros, coordenador da área de robótica da Campus Party e cofundador da Robô Livre, associação criada no Recife que prega a inclusão da robótica de forma pedagógica em escolas. "Um robô pode ser qualquer artefato que ajude o ser humano a executar uma tarefa. Ele não precisa ter a aparência de humanoide e ficar em pé."

Um exemplo disso seria o processo de automação de uma casa. Entre os projetos em desenvolvimento na Campus Party está um sistema de lâmpadas que se acendem pelo comando da voz.

Outra competição que acontece na feira é "Traga seu Robô". Igor Araujo, de 25 anos, trouxe um quadricóptero. "É um veículo aéreo não tripulado com quatro hélices", diz. O objeto, que demorou um ano e meio para ficar pronto, foi resultado de um projeto de conclusão de curso que ele apresentou em uma universidade na Bahia. Esse tipo de veículo, segundo Igor, pode ser usado para sobrevoar áreas atingidas por algum desastre natural e ajudar em resgates. O quadricóptero dele tem GPS.

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