Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

‘A CRISE NÃO ESTÁ NO VIZINHO. ESTÁ NA NOSSA CASA’

Priscila Cristina Guedes Lopes, de 42 anos, é técnica de enfermagem especializada em alta complexidade. Trabalho cooperativada, com serviço de home care. Mas há dois meses não tem pacientes. Seu contracheque zerou. “As pessoas estão cortando o plano de saúde e não fui mais chamada. Ficamos só com o salário da Raquel, minha companheira, que trabalha no setor de informática de um laboratório.” 

O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 19h00

O casal costumava frequentar churrascaria e restaurante japonês, e receber amigos em casa “para uma cerveja”. “Isso acabou. Hoje raramente saímos e levamos a quantia certa que vamos gastar. Ela trocou o benefício do vale-refeição pelo vale-alimentação. Preferimos usar no supermercado porque as compras estão muito altas.”

As duas estão sem cartão de crédito. Tiveram de escolher entre pagar a fatura ou arcar com as outras despesas. “A crise não é uma coisa que a gente ouve falar, que está na casa do vizinho. Está na nossa casa”, resume Priscila. 

Priscila está pensando em oferecer quentinhas para os vizinhos do condomínio. “Comida as pessoas não têm como cortar.” 

A ambulante Rafaela Viegas, de 25 anos, não mora no Gaivotas. É vizinha no condomínio Vivenda das Castanheiras, erguido há cinco anos também dentro do programa Minha Casa Minha Vida. Ela vai ali a trabalho. 

Rafaela era encarregada em um posto de gasolina, que foi à falência e está há cinco meses desempregada. “Antes, a gente podia escolher a melhor oferta de trabalho. Agora tem de inventar um”. Foi o que ela fez. 

Pegou o dinheiro da rescisão e foi a São Paulo comprar roupas e calçados. “Vou de casa em casa das freguesas, nos salões de beleza. Vendo fiado e aceito parcelar. O bom é que o Facebook e o Whatsapp ajudam nas vendas.”

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