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A desvalorização cambial se refletiu na rentabilidade

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2012 | 03h 03

Com a desvalorização do real em relação ao dólar, era de prever uma melhoria da rentabilidade dos exportadores, embora isso dependa da conjunção de vários outros fatores. A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) calcula que, no primeiro quadrimestre, a rentabilidade dos exportadores, nos 24 setores analisados, cresceu em média 5,2%. Não é nada desprezível, mas, levando em conta que o real se desvalorizou mais em maio e junho, é de crer que a rentabilidade melhorou ainda mais.

Essa rentabilidade dos exportadores varia conforme os setores, pois depende da evolução dos custos e do volume exportado, além da taxa cambial. Esta, no período entre janeiro e abril, teve, para todos os exportadores, uma desvalorização de 8,6%, que lhes permitiu, em geral, oferecer produtos brasileiros a um preço menor.

Mas os preços de alguns produtos são, na verdade, fixados no exterior, por exemplo, nas bolsas de mercadorias, como é o caso de um modo geral das commodities, do petróleo e dos minerais metálicos. No período analisado, o preço do petróleo aumentou bastante (depois de abril, ao contrário, baixou), enquanto o preço dos minérios baixou, em virtude de uma queda da demanda.

Outros produtos que não dependem de cotações internacionais ostentam preços que seguem a curva da demanda, de um lado, e da conjuntura internacional, de outro. A elevação, em janeiro, do salário mínimo atingiu todas as atividades internas, mas, de um modo geral, a alta de custos, no período, ficou numa média de 3%, com um mínimo de 1% (nos produtos têxteis) e um máximo de 5,9% (nos derivados do petróleo em razão da alta da matéria-prima).

Há que observar que essa elevação reflete essencialmente o efeito do salário mínimo, e nos próximos meses poderá refletir outros aumentos salariais, além de transferir aos preços custos importados.

O que nos parece é que até agora tem sido a redução da demanda o que conteve os preços, e não há segurança de que seja um fator duradouro. Pode-se considerar que a atual relação cambial deverá ser mantida, sem menosprezar uma eventual valorização.

A melhora da rentabilidade dos exportadores deverá decorrer, pois, de um aumento da eficiência da indústria de transformação, que, além de investimentos, demanda grande melhoria da infraestrutura oferecida pelo setor público, isto é, do sucesso do que o governo anuncia.

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