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Celso Ming

À espera do equilíbrio

Enquanto assistem à derrocada dos preços do petróleo, os produtores limitam-se a espernear ou, simplesmente, a esperar que a concorrência acabe explodindo e saia do merca

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Celso Ming

24 Janeiro 2016 | 06h51

Mesmo após a reação de preços nos dois últimos dias úteis da semana passada, prevalecem os fundamentos baixistas para o petróleo e derivados.

Há duas semanas, alguns bancos internacionais advertiram que as cotações do petróleo despencariam para a altura dos US$ 20 por barril de 159 litros. Para muitos, ou foram considerações eivadas de alarmismo ou jogada oportunista dos bancos com posição vendida nos mercados, com o objetivo de ganhar dinheiro fácil com o medo dos outros.

No entanto, as cotações despencaram para os US$ 28 por barril atingidos no último dia 18(veja o gráfico) e mais tendem a cair depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) avisou, na última terça-feira, que os mercados estão encharcados em consequência da superoferta. No momento há um excedente de cerca de 1 milhão de barris diários de petróleo, volume que tende a saltar para 1,5 milhão diários ainda no primeiro semestre deste ano, conforme prevê a AIE, se não houver cortes de produção.

Quatro fatores acentuam essa tendência. O primeiro é o inverno relativamente fraco no Hemisfério Norte, que derrubou a demanda de óleo combustível destinado à produção de energia elétrica e ao aquecimento de residências e locais de trabalho.

O segundo é a percepção sobre o futuro da economia da China. Como era esperado, o PIB da China em 2015 avançou apenas 6,9%. Mais do que puramente a confirmação estatística, reforçou-se a conclusão de que a desaceleração vai se acentuar nos três ou quatro próximos anos. Com ela caem as projeções de crescimento da demanda global de commodities, especialmente as de energia.

O outro fator são as consequências da finalização dos acordos entre Estados Unidos e Irã. Nas próximas semanas o Irã voltará a exportar petróleo. No curto prazo, estará em condições de despejar meio milhão de barris por dia, volume que poderá crescer até 2 milhões de barris diários. Este não é propriamente fator que só agora passou a ser levado em conta pelos analistas. É apenas a confirmação do que já se esperava e que concorreu para acentuar a superoferta de petróleo e de derivados no mercado internacional.

Um quarto fator de baixa são as novas projeções, bem mais pessimistas, sobre o desempenho da economia mundial, especialmente da Europa. Os produtores de petróleo enfrentam forte queda de receitas, fator que, por sua vez, reduz a arrecadação e a capacidade de financiamento dos governos. O resultado do enfraquecimento das economias emergentes tende a reduzir as encomendas aos países de economia avançada e, portanto, também a derrubar-lhes a atividade econômica.

Enquanto assistem à derrocada dos preços, os produtores limitam-se a espernear ou, simplesmente, a esperar que a concorrência acabe explodindo e saia do mercado. Pelo que vêm relatando os informes de economia e finanças, a onda de falências da área do petróleo e adjacências já começou, fator que acabará atingindo também os bancos excessivamente expostos ao setor.

CONFIRA:

Veja como evoluiu a cotação do dólar no mercado interno neste mês de janeiro. 

Não convenceu

Terminou o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, com uma participação inconvincente do Brasil, representado pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Ele não conseguiu explicar como o governo conseguirá garantir o equilíbrio das contas públicas em 2016 e, a partir daí, a recuperação da atividade econômica. O nível de confiança do empresário na política econômica já era muito baixo e agora vai ficar mais ainda.

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