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A indústria continua mal e não vê futuro promissor

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2014 | 02h 05

A sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada na quarta-feira, mostrou uma leve melhora no setor entre os meses de junho e julho, sem alterar a tendência negativa que predominou no primeiro semestre. Com base em dados como esses, o presidente da CNI, Robson Andrade, não hesitou em afirmar a empresários da Associação Comercial, no Rio: "Estamos vivendo um dos piores momentos da história da indústria brasileira. Sou empresário há 37 anos, não me lembro de ter passado período tão difícil como o deste ano e do ano passado".

Quanto ao nível atual de atividade, o indicador de produção da CNI passou de 39,6 pontos, em junho, para 48,8 pontos, em julho, mas continua abaixo dos 50 pontos, que separam os campos positivo e negativo. Pior foi o indicador do emprego, que saiu de 45,2 para 45 pontos, mostrando que, para o trabalhador, se algo mudou, foi para pior. A utilização da capacidade aumentou de 68% para 70%, mas ainda está muito distante da usual. E mudaram pouco os indicadores de estoques.

Quanto às expectativas, os dados são ruins no tocante à demanda, às exportações, à contratação de pessoal e à compra de matérias-primas. Ou seja, a pequena melhora de julho deveu-se à base comparativa muito baixa, relativa a junho, sem que se descortine um futuro promissor.

A Sondagem Industrial mostrou que a situação é bem mais grave para as pequenas e médias do que para as grandes empresas. Reforça-se o temor de que o custo da recessão industrial recaia principalmente sobre os trabalhadores. Do ponto de vista geográfico, foram mais atingidas as Regiões Sudeste e Sul, onde se concentra a maior parte da indústria.

Os números não permitem alento para os próximos meses. A Fiesp já calcula que o peso da indústria no PIB cairá a 12,6% neste ano, cerca da metade dos 24,8% de 1992.

A indústria é o setor mais afetado pela política econômica em 2014. O consumo interno está em desaceleração e as exportações perdem competitividade e estão sob risco até para mercados que pareciam consolidados, como o de veículos destinados à Argentina.

Enquanto perde mercados, a indústria vê crescerem seus custos, como os da energia elétrica. Algumas empresas preferiram reduzir o ritmo das máquinas, para poderem dispor, para venda a preços elevados, de parte da energia elétrica cujo fornecimento já haviam contratado. Em alguns casos, essa prática está sendo considerada mais rentável do que produzir.

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