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A inflação afeta o comércio varejista

O Estado de S.Paulo

15 Junho 2014 | 02h 06

Acentuou-se, entre março e abril, a desaceleração do consumo, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): para um volume de vendas 0,4% menor, a receita nominal cresceu 0,6%. Ou seja, o faturamento do comércio no conceito restrito, que exclui autos, peças e material de construção, foi obtido com o aumento dos preços dos produtos vendidos. Entre abril de 2013 e abril de 2014, os porcentuais de crescimento foram, respectivamente, de 6,7% e 13,5%. E nos últimos 12 meses, para uma quantidade 4,9% maior, a receita aumentou 11,8% nominais.

O ritmo das vendas varejistas foi inferior ao esperado pelas consultorias econômicas. Especialistas acreditam que a tendência é de uma queda gradual, ao longo do ano. Não fossem a expansão monetária, a correção de salários e aposentadorias, notadamente as que sobem com o salário mínimo, e a oferta de crédito pelos bancos públicos, o varejo estaria em pior situação.

Entre março e abril, o comércio restrito foi afetado, em especial, pela queda das vendas dos super e hipermercados (1,5%) - o que evidenciou a perda do poder de compra dos salários. Também caíram as vendas de combustíveis e lubrificantes (0,8%) e tecidos, vestuário e calçados (1%). E os piores resultados foram o recuo de 2,6% nas vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação e de 2,7% nas vendas de livros, jornais, revistas e papelaria. Num ano de eleições, em que a produção gráfica tende a crescer, a fraqueza das vendas é surpreendente.

O comportamento do varejo ampliado só não foi pior porque houve, em abril, um aumento de 5,4% das vendas de veículos, motos, partes e peças. Mas se trata de um dado isolado, pois a indústria automobilística está entre as que mais sentiram o desaquecimento da economia, neste ano.

Como o grau de confiança na estabilidade econômica, tanto por parte das empresas como dos trabalhadores, está em declínio, parece haver pouco a fazer para promover uma reativação. É previsível que aumentem os gastos da União, de Estados e de municípios à medida que se aproximam as eleições, mas não é o suficiente para promover uma recuperação sustentável da atividade.

Nos últimos anos, o comércio varejista foi um dos sustentáculos da economia, com o estímulo do consumo nas faixas de menor renda. Mas inflação e juros altos levam esse fenômeno ao esgotamento.

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