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A inflação perde fôlego

Mas é prematuro concluir que essa redução define tendência firme de baixa; A inflação segue alta e, sobretudo, espalhada demais

Celso Ming

A inflação de fevereiro (evolução do IPCA), de 0,90%, surpreendeu positivamente, porque a expectativa geral era a de que seria mais próxima do 1,27% verificado em janeiro (veja o gráfico). Medida em 12 meses, recuou para 10,36%, em comparação com a marca de 10,71% registrada no mês anterior.

Três fatores contribuíram para essa inflação mais baixa: (1) redução dos preços dos alimentos, graças à regularização da oferta; (2) fim da bandeira vermelha, que reduziu as tarifas de energia elétrica; e (3) valorização do real (queda da cotação do dólar), que barateou os preços dos produtos importados.

IPCA
IPCA

É prematuro concluir que essa redução define tendência firme de baixa. A inflação continua alta demais e, sobretudo, espalhada demais. O índice de difusão, que aponta o número de itens da cesta de consumo com avanço dos preços, ainda ficou nos 77%. Numa economia tão fortemente carregada de reajustes automáticos (indexação), como a brasileira, a inércia inflacionária, que produz o arrasto para períodos seguintes, continua comprometendo o futuro.

Mas é importante considerar a persistência (ou não) de quatro fatores baixistas. Em primeiro lugar, há a crescente dissipação dos efeitos inflacionários da correção dos preços administrados (que dependem de decisão do governo), um dos principais responsáveis pela forte inflação de 2015. O gráfico no Confira demonstra esse efeito.

Em segundo lugar, a evolução da economia está sendo marcada por importante queda no consumo, como os últimos resultados das Contas Nacionais (evolução do PIB) demonstraram. Mais cedo ou mais tarde, esse fator acabará por provocar certa redução nos preços no varejo (custo de vida).

Terceiro, também não se espera que a conjuntura internacional jogue a favor da inflação. Ao contrário, a tendência é de deflação. Isso significa que os preços internacionais não deverão trabalhar pela alta aqui no Brasil.

O comportamento do quarto fator é de previsão mais difícil. Não dá para saber até onde vai a escorregada do câmbio, que começou no fim de janeiro e que derrubou as cotações do dólar em 6,6% apenas neste ano. Se pintar uma solução para a crise política, a tendência será de novas quedas do preço do dólar em reais. Mas há a política de controle do câmbio do Banco Central, que pode não renovar posições em contratos de swap cambial (compra de dólares no mercado futuro). Se isso acontecer, as consequências baixistas do câmbio (e dos preços dos importados) podem ser neutralizadas e deixar de derrubar a inflação.

O Banco Central está sendo pressionado para cortar os juros básicos (Selic), hoje nos 14,25% ao ano. No entanto, também é prematuro contar com esse movimento, porque não há clareza sobre o comportamento futuro da inflação, como ficou exposto acima. Convém lembrar que as duas últimas reuniões do Copom ficaram marcadas pelo voto dissidente por nova alta da Selic em meio ponto porcentual por parte de dois diretores do Banco Central. Isso indica que falta clareza sobre o comportamento futuro dos preços na percepção das autoridades da área monetária.

CONFIRA:

Preços
Preços

O gráfico mostra a diferença de comportamento entre os preços livres e os administrados.

Volta aos 40

O petróleo tipo Brent, que serve de referência para os negócios da Petrobrás, ultrapassou ontem a cotação dos US$ 40 por barril. Os programas da Petrobrás têm como base o custo de produção de US$ 45 por barril. Falta pouco para que o preço chegue lá. Mas, se ficarão acima disso ou não, é assunto controverso nesses tempos de notícias pouco claras sobre o desempenho da economia da China, grande consumidora de petróleo.

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