Marcelo Camargo|Agência Brasil
Marcelo Camargo|Agência Brasil

A investidores, Ilan diz que BC vê continuidade no corte de juros

Em meio à crise política, presidente da instituição disse que cenário base já considera 'riscos atuais'

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 11h21

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta segunda-feira, 19, em São Paulo, que a Selic (a taxa básica de juros) está em processo de queda, "em face das expectativas de inflação ancoradas em torno da meta, da inflação em queda, e do alto grau de ociosidade na economia". Segundo ele, nos últimos meses a Selic recuou 400 pontos-base (4 pontos porcentuais) e "há expectativa de quedas adicionais à frente". Atualmente, a Selic está em 10,25% ao ano.

O economista, que completou um ano à frente da instituição, disse também que o cenário básico da instituição prescreve a continuidade dessa queda, já considerando os atuais riscos em torno do cenário e as estimativas de extensão do ciclo. "A flexibilidade do regime de metas para a inflação permite adequar a política monetária aos possíveis cenários prospectivos", afirmou Goldfajn.

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Para uma plateia de investidores, durante evento organizado pelo Bradesco, Goldfajn afirmou ainda que as taxas de juros reais (juros nominais menos inflação) também estão em queda, "apresentando valores próximos aos mínimos históricos". "As taxas de juros reais também recuaram de valores próximos a 9% a.a. em setembro de 2015 para a faixa de 4,3% a 5,2% atualmente", pontuou.

O presidente do BC afirmou ainda, retomando ideia já presente em comunicações recentes da instituição, que "a evidência empírica tem novamente corroborado a importância da atuação da política monetária, e da política econômica de forma geral, para o controle da inflação".

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Além disso, Goldfajn voltou a citar que o Brasil tem "amortecedores robustos" e está menos vulnerável a choques, sejam eles internos ou externos. "Vários ajustes e reformas aumentaram a confiança e reduziram a percepção de risco", disse o presidente do BC. "A continuidade nessa direção, em especial com a aprovação da reforma da Previdência e de outras reformas que visam aumentar a produtividade será importante para a sustentabilidade da desinflação e da queda da taxa de juros estrutural da economia."

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