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A ‘Lula Economics’ revisitada. Ou não?

Marco Antonio Rocha*

Ontem de manhã eu ainda pensava em pedir desculpas aos leitores deste artigo por não haver nada para dizer sobre a economia, a não ser que ela permanecia ligada no piloto automático, funcionando sozinha e em marcha lenta à espera de algo.

Apareceu algo. Algo que o jornal Valor, na sua manchete de ontem, chamava de “plano de reanimação nacional”. Segundo o jornal, é um plano que reúne as diretrizes de Lula para que a economia brasileira tire o pé do brejo. Uma espécie de “agora vamos, macacada”, “para a frente e para o alto”, típica de torcedores de futebol, especialmente do Corinthians.

Trata-se, fundamentalmente, de “animar” o Brasil. Nada de heterodoxia criativa, como gostariam muitos do PT, junto com o presidente do partido, Rui Falcão. Mas um pouco menos de ortodoxia restritiva.

Por exemplo, por enquanto, nada de reforma ou de muita reforma da Previdência. A reforma que o ministro Nelson Barbosa vem pregando, e que o governo disse que enviaria ao Congresso em abril, pode ser deixada para mais tarde e continuará sendo debatida no Fórum da Previdência – para sair no Dia de São Nunca, provavelmente.

Lula nunca deixou de ser um tático. De modo que as ideias dele não visam nunca à correção a médio ou longo prazos das deficiências e insuficiências da economia. Visam sempre à melhoria imediata ou a curto prazo do emprego e da atividade. Assim, o programa Minha Casa, Minha Vida e o PAC ganhariam logo mais recursos. Ou seja, deter o aumento do desemprego e começar a recuperar o emprego seria o objetivo principal da “Lula Economics” – poderíamos chamar assim, imitando a célebre Reagan Economics dos anos 80.

Além disso, ainda com base na reportagem do Valor, seriam adotadas ações que os mentores do tal plano chamam de “sólidas”, como o aumento do crédito para a construção civil – setor em que se gera emprego com certa rapidez –, mas não para o consumo. Nos seus dois mandatos, Lula viu que mais crédito para o consumo não aumentava os investimentos para a produção, mas aumentava as importações, criando problemas para a balança comercial e para as transações correntes. De modo que a ampliação e o barateamento do crédito para o consumo devem ficar na geladeira – o comércio que tenha paciência, por enquanto, pelo menos.

Juros? Bem, juros, ah, os juros. Não deve haver redução forçada dos juros: “a presidente não aceita”, disse a fonte consultada pelo Valor.

Isso pode ser uma indicação de que a presidente Dilma ainda tem, ou terá, alguma voz ativa? You’ll never know, com perdão da expressão em inglês. Ela também recusa a ideia esdrúxula de alguns petistas de usar parte das reservas cambiais para promover e levar adiante os investimentos públicos. A ver, portanto, se isso vai para o lixo ou sobrevive. De qualquer forma, aumentar os investimentos públicos sem ter dinheiro é aprofundar os problemas fiscais e o da inflação.

No fundo, o Plano de Reanimação do ex-presidente, e agora ministro, não difere muito do que o ministro Barbosa vem tentando implementar sem muito sucesso, a exemplo do que aconteceu com seu antecessor.

De modo que o problema da economia continua a ser essencialmente político. Falta de credibilidade e confiança junto da opinião pública; falta de coesão e espírito público na base política parlamentar do governo. Os petistas e o Planalto contam com a força política e a lábia de Lula para comandar o Congresso, coisa que Dilma não conseguiu. Mas ele conseguirá? Conseguirá, por exemplo, aprovação para a nova CPMF? Ferramenta-chave do governo para o conserto das finanças públicas e para o famoso ajuste fiscal?

Conseguirá criar uma conjuntura política favorável com presidentes da Câmara e do Senado sob investigação da Lava Jato, com ele próprio sendo investigado e sua sucessora sob ameaça, agora, de investigação? Conseguirá superar o fenômeno “Delcídio” e suas consequências?

*JORNALISTA.

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