'A luta orçamentária vai ser mais acirrada do que nunca'

Regra do teto para o crescimento dos gastos públicos vai acirrar a disputa no Orçamento de 2018 por recursos na construção, diz o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil

Entrevista com

Maurício Quintella Lessa

Lu Aiko Otta e André Borges, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - A regra do teto para o crescimento dos gastos públicos, que impede que os gastos subam acima da inflação, vai acirrar a disputa no Orçamento de 2018 por recursos na construção, disse ao Estado o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella Lessa, afirmou.

Como o sr. lida com essa situação?

Com muita preocupação. É fato que o Brasil viveu sua maior recessão da história e isso teve impacto no investimento público em todas as áreas. Não foi diferente na infraestrutura. O Brasil é um país que investe menos de 2% do PIB em infraestrutura. É um nível baixíssimo, se comparado a países vizinhos. Temos um teto para o crescimento dos gastos. O Orçamento passou a ser uma peça mais realista. A luta orçamentária vai ser mais acirrada do que nunca.

E como seu ministério vai entrar nessa briga?

Vamos trabalhar no Congresso para que o Orçamento de 2018 seja minimamente suficiente para fazer a manutenção da malha, finalizar as obras com alto grau de execução, manter os corredores de exportação e de integração nacional em perfeitas condições de trafegabilidade. Mas a realidade é difícil. Temos este ano R$ 11,8 bilhões, e a proposta é R$ 11,2 bilhões no ano que vem.

O sr. tem quinta-feira reunião com o ministro Henrique Meirelles. O que vai discutir?

Vou pedir mais R$ 2,5 bilhões para este ano. E estamos pedindo adicional de R$ 2,6 bilhões para ver se chegamos a R$ 14 bilhões no ano que vem. É o mínimo para manutenção da malha e para tocar obras que nos comprometemos com bancadas, com Estados.

É dessa liberação que depende tocar as obras do Rodoanel Norte? O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, esteve há poucos dias com o presidente Michel Temer cobrando os recursos.

Para o Rodoanel, liberamos apenas R$ 87 milhões este ano, de uma previsão de R$ 300 milhões. 

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