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Volkswagen diz que vai investigar veículos produzidos no Brasil

O diretor de Assuntos Governamentais, Antonio Megale, não deu uma data para o início da apuração, mas ponderou que, a princípio, não há veículos no País com software que fraudou testes

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 12h03

O diretor de Assuntos Governamentais da Volkswagen no Brasil, Antonio Megale, afirmou nesta terça-feira que, a princípio, não há veículos da montadora no País com o mesmo software que alterou os motores a diesel da marca nos Estados Unidos, para torná-los mais eficientes durante testes de emissões de gases. Ele ponderou, contudo, que ainda não há confirmação e informou que, assim como em todo o mundo, uma investigação deve ser feita no Brasil para investigar o caso.

"A princípio não (há nenhum carro com o software no Brasil). Mas não temos a confirmação", disse em entrevista à imprensa após participar de fórum promovido pela revista Quatro Rodas. De acordo com Megale, o primeiro executivo da montadora no País a falar sobre o assunto, a questão está sendo tratada a nível mundial. "A Volks tomou a decisão de fazer investigação interna e externa profunda sobre a questão. (...) Obviamente, quando é uma questão dessa natureza, a gente entende que isso ai vai ter de ser feito no mundo inteiro", disse. 

Segundo Megale, tudo será investigado com muita "profundidade" e "transparência". Questionado sobre quando essas investigações devem começar, ele informou ainda não há data para início, pois o País "não está no foco" neste momento. "As investigações estão sendo feitas principalmente onde está o foco, nos Estados Unidos, naturalmente, e nos países que têm aquela lista de veículos com motores a diesel mencionadas", afirmou. A lista é composta pelos modelos Beetle, Golf, Jetta e Passat, da Volkswagen, e pelo no Audi A3, da Audi, fabricados de 2009 a 2015.

O diretor de Assuntos Governamentais ressaltou que, no Brasil, há apenas um modelo da Volkswagen com motor a diesel, a picape Amarok, que é fabricada na Argentina, com motor produzido na Alemanha. Indagado se há possibilidade de o software estar instalado em veículos com motores movidos a outros tipos de combustíveis, como gasolina e etanol, por exemplo, o executivo afirmou que "não temos essa indicação". Ele informou ainda que, até o momento, a montadora não foi notificada pelo Ibama em relação ao caso no País. 

Ibama. O Ibama anunciou que abriu investigação contra a Volkswagen no Brasil para verificar se algum carro da montadora no País possui o mesmo software que alterou os motores a diesel da marca nos Estados Unidos, para torná-los mais eficientes durante testes de emissões de gases. De acordo com a denúncia naquele país, o equipamento detectava quando os carros estavam sendo avaliados, ativava o controle de emissões de poluentes, que era desabilitado após os testes.

Segundo o Ibama, autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, a Volks foi notificada ainda na última sexta-feira (25) a prestar esclarecimentos. Caso a violação das regras brasileiras seja comprovada, o órgão informa que a companhia poderá ser multada em até R$ 50 milhões e será obrigada a corrigir o problema em todos os veículos que eventualmente possuam o equipamento. Para o Ibama, a fraude descoberta nos Estados unidos é um "caso gravíssimo".

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