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A queda do faturamento real do setor de serviços

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2014 | 02h 04

Brasília, Rio de Janeiro e Goiás, com aumentos nominais da receita de serviços de 18,7%, 12,4% e 10,2%, respectivamente, escaparam da queda generalizada do faturamento real do setor terciário em junho, que atingiu 19 das 27 unidades da Federação, conforme avaliação da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. Os dados comparados aos de junho de 2013 indicam que chegou a haver queda nominal da receita em alguns Estados, como Roraima, Amapá, Piauí, Espírito Santo, Acre e Sergipe.

Na média brasileira, o crescimento nominal do faturamento foi de apenas 5,7%, o que significa declínio em termos reais, porque a inflação do período, medida pelo IPCA, atingiu 6,52%.

O desempenho do setor de serviços depende do comportamento da indústria, do comércio e do agronegócio. Mas, apesar de sua dependência a outros setores, é grande empregador e tem participação superior a dois terços na composição do Produto Interno Bruto (PIB). Sua desaceleração tem, portanto, repercussões significativas - e ruins - para toda a economia.

A influência dos jogos da Copa do Mundo foi inegável, em junho, quando o maior aumento de receita foi registrado em serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias (+22,8% em relação a junho de 2013) e em serviços de alojamento e alimentação, que incluem hotéis. As despesas de turistas estrangeiros que vieram ao Brasil significam renda para os serviços locais. É o que também explica a expansão dos serviços no Rio, acima da de São Paulo, onde a alta se limitou a 4,8%.

É enorme a gama de atividades do setor, que inclui desde os mais diversos serviços de telefonia, de TV, de processamento de dados e de software, como de transporte rodoviário, aéreo, ferroviário e aquaviário, ou de engenharia e arquitetura, que inclui projetos industriais e imobiliários, sondagens e os destinados a obras de infraestrutura. A pesquisa do IBGE exclui os serviços financeiros, de saúde, educação e administração pública.

O setor de serviços é o maior empregador de mão de obra do País. Incluídos todos os seus segmentos, o peso na contratação de empregados é estimado em 75%. Pelos dados do Ministério do Trabalho, que utiliza critérios diferentes dos do IBGE, o emprego em serviços gerou 70% das vagas formais em 12 meses, até junho. É uma participação muito alta. Sua perda de dinamismo, por isso, poderá ter consequências mais graves sobre outros setores.

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