‘A última coisa a reverter será o emprego’

Especialista aponta que o País precisa "desesperadamente criar empregos"

Entrevista com

Hélio Zylberstajn, professor da FEA/USP

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2017 | 22h26

O resultado negativo do mercado formal de trabalho, que eliminou 63.624 vagas em março, depois do saldo positivo de fevereiro, não surpreendeu o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo Hélio Zylberstajn. Para ele, ocorreram pequenas variações que sinalizam uma certa estabilidade. Comparado a um passado recente, os resultados dos dois últimos meses mostraram, segundo o professor, uma diminuição no ritmo do fechamento de vagas. Apesar da ponderação, o economista ainda não vê sinais positivos. “O resultado de março não deixa de ser uma má notícia porque ainda não estamos crescendo. Precisamos desesperadamente criar empregos”, afirma. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. avalia o resultado do emprego com carteira?

Temos de lembrar que o universo do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) são os empregados formais. A quantidade de trabalhadores é mais ou menos 38 milhões. Uma variação de 60 mil deve ser entendida mais como estabilidade.

Mas o resultado negativo veio depois de um mês positivo...

Que também foi de estabilidade. A geração de empregos foi muito pequena em fevereiro. O universo de empregados em março caiu 0,15% em relação ao total. Se olharmos para trás, tivemos meses seguidos com quedas no número de vagas de 100 mil a 150 mil. Esses números mostram que houve uma diminuição no ritmo de deterioração de postos de trabalho e agora tendemos para uma estabilidade. No entanto, o resultado de março não deixa de ser uma má notícia porque não estamos crescendo. Precisamos desesperadamente criar empregos e isso não está acontecendo.

Quando o mercado de trabalho voltará a reagir positivamente?

Vai demorar ainda.

O que precisa acontecer para o mercado de trabalho melhorar?

Depende da retomada do crescimento, que depende da retomada da confiança e do consumo. Tudo isso depende da aprovação das reformas. O mercado e o consumidor estão olhando para o governo e o governo não tem conseguido convencer as pessoas de que é capaz de cuidar da parte fiscal. Ele está na dependência do Congresso para aprovar a reforma da Previdência. A aprovação da reforma da Previdência seria um começo de algum equilíbrio fiscal ou de pelo menos parar de piorar o lado fiscal. Quando tivermos a certeza de que a questão fiscal está mais ou menos começando ser encaminhada, as coisas revertem. E a última coisa a reverter será o emprego.

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