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Economia

Usiminas

Acionistas vão buscar em conjunto saída para Usiminas

Com relações rompidas desde 2014, Nippon Steel e Ternium voltam a negociar para tentar evitar recuperação judicial da siderúrgica

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Mônica Scaramuzzo, Fernanda Guimarães,
O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2016 | 05h00

Os acionistas da Usiminas, a japonesa Nippon Steel e a ítalo-argentina Ternium, que romperam relações desde setembro de 2014, vão começar a discutir, juntos, um plano de reestruturação para tentar evitar que a siderúrgica mineira peça recuperação judicial, apurou o Estado.

Na reunião do conselho de administração, realizada na tarde desta quarta-feira, 17, ficou acordado que os sócios devem se reunir no início de março para traçar um plano de reestruturação para a companhia. As discussões giraram em torno da necessidade de um aporte de capital, mudança de gestão e renegociação das pesadas dívidas da Usiminas com os bancos, segundo fontes próximas aos acionistas.

Mas ficou claro que, somente um aporte de capital, estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, não será suficiente para dar fôlego ao grupo, concordaram as duas partes, segundo fontes. Antes da reunião do conselho na tarde de ontem, que durou quase cinco horas, representantes da Nippon e Ternium tinham se reunido pela manhã para discutir os rumos do grupo. “Foi uma reunião tranquila, ao contrário do que se imaginava, e as portas foram deixadas abertas para a busca de soluções”, disse uma fonte que esteve presente na reunião. 

Venda de ativos. Durante o encontro, também foi apresentada uma lista com pelo menos 30 empresas, boa parte estrangeiras (americanos, europeus e asiáticos), como potenciais compradoras da Usiminas Mecânica, de bens de capital. O Credit Suisse está coordenando essa operação, que ainda está em fase inicial.

“Como essas negociações de vendas de ativos demoram, o grupo precisa alongar as dívidas com os bancos, que estão abertos a conversas”, afirmou uma fonte ligada ao grupo japonês. Já a Ternium é a favor de um congelamento de 180 dias das dívidas (operação conhecida com “stand still”), de acordo com fontes próximas ao grupo. Além da Usiminas Mecânica, o grupo busca comprador para imóveis e sua fatia de 20% na ferrovia MRS.

A Usiminas divulga seus resultados do quarto trimestre nesta quinta-feira, 18. De acordo com fontes a par do assunto, a empresa deve fechar novamente no vermelho e a relação dívida/Ebtida (geração de caixa), crescerá expressivamente.

Mais significativo do que fechar com prejuízo o sexto trimestre consecutivo, a siderúrgica mineira mostrará que está consumindo caixa para manter sua operação, o que deverá carimbar a crítica situação financeira da empresa, de acordo com cálculos de analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A média das projeções aponta para um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado negativo em R$ 86 milhões.

Diante dessa situação, os dois sócios, que fazem parte do bloco de controle e travam uma das maiores disputas societárias do País, vão tentar buscar saídas para dar novo rumo à empresa, que encerrou as atividades primárias da unidade de Cubatão (ex-Cosipa), demitiu 1,8 mil trabalhadores e tem apenas dois dos cinco altos-fornos em operação.

Sem caixa para operar a partir de março, uma das estratégias é tentar liberar pelo menos R$ 900 milhões dos R$ 1,3 bilhão de recursos que está nas mãos de subsidiária Mineração Usiminas (Musa), que tem o grupo japonês Sumitomo como sócio, disse uma fonte que representa um dos acionistas.

A Nippon estaria disposta a fazer um aporte de capital na companhia, mas encontra resistência da Ternium, que não faz mais parte da gestão do grupo e tem se posicionado a favor de um choque de gestão no grupo, com mudança dos principais executivos da companhia. Já a Nippon está mais resistente a esse tipo de mudanças.

O Estado apurou que os sócios, apesar das desavenças, cobraram dos atuais gestores da companhia um plano claro de reestruturação para poder apresentar para os bancos credores – entre eles Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e JBIC (Japan Bank for International Cooperation). Dos R$ 8,1 bilhões em dívidas (até o 3º trimestre), quase metade vence entre 2016 e 2017. Só neste ano, terão de ser pagos e R$ 1,7 bilhão.

Neste ano, a Usiminas deverá pagar R$ 900 milhões em serviço de dívida. Sua geração de caixa seguirá comprometida diante da atual crise que atravessa hoje o setor siderúrgico, que enfrenta baixa demanda no mercado interno e superoferta de aço no mercado global, além da queda do preço do minério. 

Procuradas, Usiminas e Nippon não retornaram os pedidos de entrevista. A Ternium não se manifestou sobre o assunto.

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