Ações do Pão de Açúcar caem 7% após relatório do UBS

As ações do Grupo Pão de Açúcar na BM&F Bovespa foram fortemente castigadas ontem após um relatório do banco UBS reduzir o preço-alvo das ações da empresa de R$ 98 para R$ 91 em meio a preocupações com a divisão Via Varejo, de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis, que deve contribuir menos para o resultado do conglomerado. Ontem, os papéis do Pão de Açúcar tiveram queda de 7,59% e fecharam cotados a R$ 55,70.

Renato Carvalho, Fátima Laranjeira, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 02h03

A queda do papel ocorreu apesar de a previsão do UBS embute uma expectativa de ganhos de mais de 50% em relação ao valor atual da ação. Ao reduzir as expectativas para a valorização do papel, o UBS também foi claro em afirmar que não vê nenhuma mudança nos fundamentos do negócio em si.

Para o analista-chefe da Gradual Corretora, Daniel Marques, o ambiente atual é de volatilidade. A ordem do mercado é vender primeiro e perguntar depois. "O comportamento das ações tem mais um viés político do que econômico. O cenário macro é ruim, os dados sobre a arrecadação vieram abaixo do que algumas casas esperavam e isso realmente causou impacto. Mas, além disso, vieram várias especulações, como de novo rebaixamento do País e até da saída do Levy (Joaquim, ministro da Fazenda)", disse Marques.

Enquanto o UBS reduzia o preço-alvo para as ações do grupo varejista, a Standard & Poor's, agência de classificação de risco que tirou o grau de investimento da economia brasileira e também de empresas como a Petrobrás e dos principais bancos nacionais, anunciou a manutenção dos ratings de crédito do Grupo Pão de Açúcar em "brAA+", com perspectiva positiva.

"A perspectiva positiva reflete nossa visão que a CBD (nome oficial do Pão de Açúcar) está bem posicionada para enfrentar os desafios macroeconômicos durante os próximos anos e que manterá métricas de crédito fortes com dívida sobre Ebitda abaixo de 1,5 vez, geração interna de caixa sobre dívida acima de 45% e geração de caixa operacional livre sobre dívida acima de 25 %", afirmou a Standard & Poor's.

Macroeconomia. Na avaliação da agência de risco, o ambiente macroeconômico brasileiro tem se deteriorado significativamente durante os últimos meses com contração do PIB, aumento do desemprego, inflação e juros, além de uma maior restrição do crédito aos consumidores. "Apesar desse cenário desafiador (na economia), reafirmamos os ratings da CBD, pois acreditamos que a empresa deve manter sua forte posição de mercado e um nível de endividamento relativamente estável."

A perspectiva positiva indica que a agência poderá elevar os ratings caso a empresa continue apresentando métricas de crédito resilientes apesar da geração de caixa mais fraca em função principalmente da queda de vendas da Via Varejo.

A S&P diz, porém, que o perfil de risco de negócios da empresa é limitado por sua presença em apenas um país, o que resulta em maior volatilidade na comparação com varejistas de atuação global.

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