Infográfico/Estadão
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Ações do setor de papel e celulose estão na mira dos analistas

É indiscutível que o momento é bom para as ações do setor de papel e celulose. Suzano acumula ganho de 27% apenas neste mês, Fibria, de 24%, e Klabin, de 12%

Karin Sato e Fátima Laranjeira, Broadcast

26 Agosto 2017 | 05h00

É indiscutível que o momento é bom para as ações do setor de papel e celulose. Suzano acumula ganho de 27% apenas neste mês, Fibria, de 24%, e Klabin, de 12%. Fundamentos das companhias e também do setor explicam essas valorizações.

Nesta semana, a Magliano alterou toda sua carteira. Suzano é um dos papéis que entrou na lista. Os analistas afirmaram que a companhia deve tentar novo reajuste no preço da celulose em setembro, para ter uma visão mais clara sobre a relação de oferta e demanda no mercado global, enquanto tenta implementar na China o reajuste anunciado em junho, mas que ainda não obteve pleno sucesso.

“Seguimos otimistas com a empresa, mas cabe alertar que, em momentos de volatilidade cambial, o preço da ação acaba registrando grande interferência”, justificaram. A nova lista conta ainda com Cielo, Ecorodovias, Braskem e Smiles. Entre as justificativas para as duas primeiras estão os sinais de recuperação da economia.

Sobre Braskem, os analistas afirmaram que o pior já passou para a companhia, após seu envolvimento na Lava Jato. “O que esperamos agora é a venda da participação em seu controle acionário pela Petrobrás, já sinalizado ao mercado, o que, associado ao bom desempenho da empresa tende a atrair fluxo financeiro para suas ações.” Os profissionais acreditam ainda que a ação da Smiles teve fraco desempenho na última semana, abrindo possibilidade de recuperação.

A Planner também está atenta ao setor de papel e celulose. A equipe de análise resolveu retirar a Ser Educacional da carteira, após o papel acumular ganhos de 16,3% em agosto e 61,7% neste ano, e incluiu as units da Klabin. “A ação é uma opção defensiva dentro do setor de papel e celulose. No segmento, a Klabin é a empresa menos exposta à volatilidade cambial, por conta da flexibilidade de sua produção e da baixa exposição ao dólar em relação aos seus pares”, disseram os analistas, acrescentando que o cenário segue com perspectiva positiva para o setor, em função dos sinais positivos de retomada da economia doméstica.

A Guide, por sua vez, retirou a elétrica Equatorial da carteira para dar lugar à B3. “Adicionamos a B3, uma vez que visamos uma melhor perspectiva para os ativos de renda variável”, disseram os analistas.

O evento que roubou a cena nesta semana foi o anúncio do governo da intenção de privatizar a Eletrobras. Mas ainda há dúvidas no mercado sobre como e quando a operação vai acontecer.

O analista Pedro Galdi, da Magliano, citou algumas barreiras que devem ser enfrentadas: “A pressão política de alas do Norte e Nordeste do País contra a venda de Chesf e Eletronorte deve ser grande. Por outro lado, não podemos esquecer que a empresa é alvo de ação coletiva nos EUA por conta da operação Lava Jato. Mas a grande preocupação vem de outro fator, que seriam os possíveis esqueletos não contabilizados, sendo que a própria empresa fazia menção no balanço do segundo trimestre que contava com R$ 64,5 bilhões em contingências não provisionadas”, diz.

A Coinvalores, por sua vez, opinou que a proximidade das eleições deve dificultar todo o processo. Já Vitor Suzaki, analista da Lerosa, disse que a privatização da maior companhia elétrica nacional traz “enormes desafios”, como as diferenças entre partidários da base aliada preocupados com a extinção de cargos em coligadas.

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