Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Adiar discussão sobre tarifas só ‘prolonga a incerteza’, diz UE

Bloco europeu afirma que, ‘como parceiro e amigo dos Estados Unidos’, não vai negociar sob ameaça

Agências internacionais, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 05h00

WASHINGTON - Os 30 dias adicionais para que os Estados Unidos e a União Europeia negociem as tarifas sobre aço e alumínio importados que o presidente Donald Trump quer impor apenas “prolongam a incerteza”, segundo avaliação feita ontem pelo bloco europeu.

O adiamento do prazo ajuda os EUA a evitar uma potencial guerra comercial com aliados, enquanto o governo se prepara para negociações tensas com a China nesta semana. Mas a UE considerou a decisão ruim para os negócios, por “prolongar a incerteza do mercado”. “Como parceiros de longa data e amigos dos EUA, nós não vamos negociar sob ameaça”, disse a UE.

Na segunda-feira, o governo Trump disse ter chegado a um acordo com a Coreia do Sul sobre as importações de aço após discussões sobre a revisão de um tratado comercial. Também informou ter chegado a um acordo preliminar com a Argentina, a Austrália e o Brasil. “Em todas essas negociações, o governo está focado em cotas que irão restringir as importações, prevenir o transbordo e proteger a segurança nacional”, disse a Casa Branca.

A Alemanha, maior exportador de aço para os EUA, disse que espera ser permanentemente isenta das tarifas. “Nem a UE nem os EUA podem ter interesse na escalada dessas tensões comerciais”, disse a porta-voz da chanceler Angela Merkel.

Já a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou em coletiva de imprensa que o presidente Donald Trump decidiu estender por mais 30 dias o prazo de negociação com a União Europeia – além do Canadá e do México – sobre a aplicação de tarifas a importações de aço e alumínio desses países porque houve foi feito “algum progresso”. Segundo ela, há a expectativa de que as negociações se encerrem dentro destes 30 dias. 

China. O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, afirmou ontem que vê como um “grande desafio” a abertura de negociações comerciais com a China, às vésperas do início das conversas entre autoridades dos dois países em solo chinês. “Vamos passar o próximo ano desenvolvendo a forma como lidamos uns com os outros durante um período de tempo”, disse Lighthizer durante evento na Câmara de Comércio dos EUA em Washington, destacando que a relação econômica entre as duas potências mundiais tem de mudar.

Lighthizer faz parte de uma delegação de meia dúzia de importantes funcionários do governo Trump que irão viajar a Pequim no fim desta semana para discutir reclamações comerciais de Washington contra Pequim, incluindo o déficit comercial e violações de propriedade intelectual. Também estarão presentes o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, o secretário do Comércio, Wilbur Ross, e o diretor do Conselho de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro. 

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