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Aéreas preveem corte de 7% nos voos em 2016

A maior redução registrada no setor desde 2003 tem o objetivo de permitir que as empresas aumentem o preço da passagem

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Marina Gazzoni,
O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2016 | 05h00

A aviação brasileira sentirá em 2016 a maior redução de oferta desde 2003. A estimativa da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) é de que as quatro maiores empresas cortem juntas 7% das passagens nacionais este ano, revertendo um ciclo de expansão do setor nos últimos dez anos. O movimento faz parte de um ajuste para adequar a oferta de voos a um cenário de recessão, viabilizar um aumento de preços e tentar retomar a lucratividade das empresas.

O ano de 2016 deverá ser pior para a aviação do que 2015, quando setor teve um leve avanço na oferta e demanda por voos domésticos, de cerca de 1%. Os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram uma piora de cenário no fim do ano – em dezembro, a demanda caiu 4,52% e, a oferta, 3,34%.

“O tráfego do passageiro corporativo caiu desde o início de 2015. As empresas aéreas fizeram promoções ao longo do ano para substituir esse cliente por aqueles que viajam a lazer. Mas, no segundo semestre, a confiança desse consumidor caiu e ele também cortou viagens”, explicou o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz. “A manutenção da malha de voos se tornou insustentável.”

Com o brasileiro voando menos, o preço da passagem caiu em média 20% em 2015, estima a Abear. A redução ocorreu em meio à alta de custos provocada pela valorização de quase 50% do dólar. A maioria das despesas das empresas é atrelada ao dólar, como leasing de aeronaves e querosene de aviação.

O cenário de alta de custos e queda nas vendas deve levar o setor aéreo ao maior prejuízo de sua história no Brasil em 2015. Até setembro, TAM, Gol, Azul e Avianca perderam juntas R$ 3,7 bilhões. “O prejuízo vai ser maior. Não há nenhum indicador positivo no terceiro trimestre”, avaliou Sanovicz, que admite a possibilidade de demissões no setor.

Ajustes. As três maiores companhias aéreas já anunciaram planos de redução de frota. A Latam, empresa que reúne as marcas TAM e LAN, vai devolver 20 aviões neste ano. A Gol vai alugar parte da frota para empresas europeias. E a Azul vai transferir 17 aviões para a companhia portuguesa TAP, do mesmo controlador.

Tradicionalmente, uma empresa aérea reduz sua frota quando não vê possibilidade de crescimento na malha no curto prazo. A previsão da Abear é que o setor só retome o crescimento no segundo semestre de 2017. Para o sócio da consultoria Bain&Company, André Castellini, a recuperação só ocorrerá em 2018, quando o cenário político estiver mais claro e os investimentos forem retomados no País.

Até lá, as empresas terão de suportar uma operação deficitária, que leva à queima de caixa. “Há uma corrida por capital em curso. As empresas aéreas brasileiras precisam de liquidez para resistir até a economia reagir. O desafio delas é se manter vivas”, explicou o consultor.

Para Castellini, o movimento de redução da oferta é acertado, mas o corte previsto será insuficiente para viabilizar o aumento de preços necessário para recompor as perdas do setor. “O PIB deve cair 3% a 3,5% este ano. O corte de 7% na oferta é alinhado com a retração do PIB. Mas elas precisam recompor a tarifa, então, a retração de oferta deveria ser maior.”

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