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Economia

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Através do IBC-Br, o Banco Central apontou para 2015 uma queda de 4,08%, próxima da que vinha sendo projetada pelo mercado

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Celso Ming

18 Fevereiro 2016 | 21h00

O tamanho do estrago começa a ser medido. O Banco Central divulgou ontem sua prévia do PIB de 2015, cuja verdadeira dimensão só será conhecida dia 3, quando o IBGE estará publicando suas Contas Nacionais.

Pois essa prévia, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apontou para 2015 uma queda de 4,08%, próxima da que vinha sendo projetada pelo mercado.

O recuo do PIB acabou sendo substancialmente maior do que o imaginado no início do ano passado. Em janeiro de 2015, o mercado e a equipe econômica, naquele momento liderada pelo ministro Joaquim Levy, esperavam crescimento perto de zero.

As causas desse fiasco são conhecidas: têm a ver com a política econômica equivocada dos anos anteriores, que não levou em conta o fim dos bons tempos das commodities; a forte deterioração das contas públicas e a disparada da inflação, que derrubaram a confiança; e a falta de vontade política do governo de tocar as reformas e o ajuste fiscal, sem o que não há crescimento econômico sustentável.

A derrubada da atividade econômica foi forte o suficiente para puxar para baixo também os resultados deste 2016. Quando o ano começa embalado, embalado continua, bastando para isso apenas que o governo continue injetando combustível na economia. Mas quando o embalo é negativo, o esforço para a virada tem de ser maior. E tudo tende a continuar negativo, se nova energia não puxar de volta para cima. É o chamado fator inércia.

O diabo é que 2016 começou não só desembalado, mas continua acentuando a marcha à ré. As expectativas para o avanço do PIB seguem em deterioração. A última projeção do mercado, tal como aferida pela Pesquisa Focus, do Banco Central, é de uma retração de 3,33%. E o próprio Banco Central já deixou claro que está prevendo uma queda de 3,0%. Enfim, teremos neste ano um desempenho quase tão ruim quanto ao de 2015, com a agravante de que piora muito “a sensação térmica”, conforme apontou o economista-chefe do Grupo Itaú, Ilan Goldfajn.

Se um número dessa magnitude se confirmar, em apenas dois anos o recuo da renda nacional chegará perto dos 8%, o que é uma calamidade. É o brasileiro ficando mais pobre e, portanto, com ainda menos condições de enfrentar seus atuais problemas. Nessa paisagem, o desemprego tende a aumentar. É provável que salte para a altura dos 10% da mão de obra ativa ainda este ano.

Como a inflação continuará comendo salário, é inevitável o impacto sobre o consumo e sobre a produção. Em termos imediatos, mais este ano de recuo acentuado do PIB produzirá uma nova quebra da arrecadação que, por sua vez, tende a aumentar o rombo das contas públicas.

Tudo seria mais fácil se o País tivesse rumo e um mínimo de confiança no seu comando. O governo Dilma não sabe que direção seguir. Mesmo se soubesse, não conta com apoio político nem para as reformas nem para arrancar do Congresso um ajuste capaz de recolocar a economia nos trilhos.

CONFIRA

Câmbio

Aí está o comportamento da cotação do dólar ao longo do dia, imediatamente depois do novo rebaixamento da qualidade dos títulos do Brasil pela agência Standard & Poor’s (S&P).

Pessimismo

A reação do mercado financeiro ao novo rebaixamento foi de pessimismo. A cotação do dólar no câmbio interno voltou a ultrapassar R$ 4. Além do inesperado movimento da S&P, o resultado ruim do IBC-Br colaborou para que a cotação da moeda fechasse com alta de  1,66%.

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