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Marcos de Paula/Estadão

Agência rebaixa nota da Petrobrás e retira grau de investimento

Moody's diz que há maior preocupação com as investigações sobre a corrupção na estatal e com o atraso na divulgação do balanço

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Agência Estado

24 Fevereiro 2015 | 20h47

Atualizado às 21h50

A crise que a Petrobrás vem atravessando nos últimos tempos levou a empresa a perder, nesta terça-feira, o grau de investimento da agência de classificação de risco Moody’s. Isso significa que a agência já não considera a estatal uma boa pagadora de seus débitos, o que complica ainda mais a situação da companhia, que é a petroleira mais endividada do mundo. Sem o grau de investimento, o acesso a novos financiamentos fica mais difícil e a empresa pode ter de pagar juros maiores que os que conseguia até agora.

A Moody’s rebaixou o rating de crédito corporativo da Petrobrás em dois graus, de Baa3 para Ba2, além de cortar todas as outras notas da empresa. Segundo a agência, o rebaixamento reflete uma maior preocupação com as investigações de corrupção que vêm sendo feitas dentro da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, assim como pressões de liquidez que podem acontecer em razão do atraso na entrega do balanço auditado, que ainda não tem prazo determinado. 

A agência ainda acredita que a Petrobrás terá dificuldade em reduzir significativamente sua elevada dívida nos próximos anos.

“Os ratings da Petrobrás permanecem em revisão para rebaixamento por causa da pressão sobre a liquidez que pode acontecer caso a empresa não consiga entregar o balanço em tempo. A empresa precisa fornecer o balanço anual auditado até 30 de abril de 2015. Maiores atrasos trazem o risco de que os credores possam tomar ações que resultem na declaração de um default técnico”, diz o comunicado da Moody’s.

Embora a estatal deva gerar mais caixa este ano do que em 2014, a agência de rating acredita que isso não deve ser suficiente para cobrir todas as suas despesas, resultando em mais um ano de geração de caixa negativo.

“Caso a empresa consiga resolver seus problemas de liquidez no curto prazo, os ratings podem ser elevados”, diz a Moody’s. Ainda assim, provavelmente a empresa não voltaria ao grau de investimento, “porque deve continuar a enfrentar tensões relacionadas às investigações de corrupção e seu alto nível de endividamento”.

Nota do Brasil em risco. O rebaixamento da nota da Petrobrás pode ter reflexos também na própria nota do Brasil. Na semana passada, o vice-presidente e analista sênior de crédito soberano da Moody’s, Mauro Leos, disse que há uma “interconectividade” alta da petroleira com a economia - ou seja, uma piora na empresa pode afetar a atividade do País, com consequente impacto na nota da dívida do Brasil. 

Leos já havia ressaltado que as previsões para o Brasil este ano não eram nada animadoras, variando de estabilidade a queda de 1% no PIB). “E a Petrobrás complica a situação em todos os aspectos”, afirmou o executivo. 

Entenda a crise. A crise na Petrobrás, que havia começado com as investigações de corrupção feitas dentro da Operação Lava Jato, ganhou maior proporção no final do ano passado, quando a auditoria PwC se recusou a assinar o balanço da empresa se as perdas com a corrupção não fossem discriminadas. 

A saída para a empresa foi publicar um balanço não auditado - ou seja, sem o aval da PwC -, que não tem valor algum no mercado financeiro. A empresa tem prazo até final de abril para publicar os números auditados, sob o risco de dar aos seus credores o direito de pedir a antecipação do pagamento de dívidas que ainda estariam por vencer. 

Além disso, sem o balanço, a empresa não tem acesso a financiamentos, o que pode levá-la a uma paralisação quase completa.

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