ANDRE DUSEK/ESTADÃO
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Levy indica que haverá um novo conjunto de ações na área fiscal ainda em setembro

Ministro da Fazenda não deu maiores detalhes do que o governo pretende fazer; para Levy, S&P fez uma avaliação política ao rebaixar a nota do Brasil

Bernardo Caram, Rachel Gamarski, Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 15h42

Atualizado às 17h07

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a dizer que o governo precisa construir uma ponte de estabilidade fiscal para fazer uma travessia desse momento, destacando que esse processo deve ser resultado de uma combinação de receitas e despesas. Levy também afirmou que um conjunto de ações deve ser divulgado até o fim de setembro, mas não deu maiores detalhes sobre as medidas.

Levy afirmou que o País não vai alcançar a meta fiscal sem "medidas adicionais". Sem apresentar detalhes do que será feito, ele afirmou que o governo deve ter gasto parcimonioso e "visitar" despesas obrigatórias, decorrentes de leis. "Temos que melhorar execução e eficiência", disse, indicando a possibilidade de o governo pedir mudanças em leis. Ele ressaltou que o espaço para cortar despesas discricionárias não é suficiente para atender as necessidades do País.

De acordo com Levy, a responsabilidade fiscal, junto com a reforma do ICMS, fará o Brasil voltar para o "nosso lugar", com grau de investimento.

Para o ministro, a decisão da agência Standard & Poor's de rebaixar a nota de crédito do País teve um viés político e que a agência se precipitou. 

Mais cedo, após uma reunião de emergência, a presidente Dilma Rousseff também falou sobre a questão política. Dilma pediu unidade do governo e maior agilidade nos cortes de gastos.

Como fez em entrevista mais cedo, Levy falou sobre a importância da colaboração de todos no ajuste fiscal. "O governo não vai chegar sozinho nos 0,7% (meta fiscal para 2016). A sociedade precisa entender a importância de colocar a casa em ordem, olhando ou não para as agências de rating, pois isso é importante para a economia do País", afirmou.

Miopia. Levy afirmou que os brasileiros não podem ser míopes "na questão dos impostos", porque há a necessidade de se fazer um esforço adicional e garantir que o País seja seguro para investidores e famílias. O ministro disse ainda que a presidente Dilma Rousseff está empenhada para garantir esta segurança. "Não devemos ser vítimas de uma miopia na questão dos impostos, porque vamos ter que fazer um esforço adicional e, precisamos garantir que esse país seja seguro para os investidores e famílias", afirmou. 

Evitando entrar em detalhes sobre quais despesas serão cortadas e quais tributos podem subir, o ministro da Fazenda afirmou que "você admite pagar mais impostos para conquistar tranquilidade para poder crescer mais e mais rápido".

Levy disse ainda que as pessoas vão entender se tiverem que pagar mais impostos para tornar o País mais forte. Levy ressaltou que a presidente Dilma Rousseff não deixa de tomar medidas por haver possibilidade de uma queda de popularidade e que o governo está empenhado em atingir meta de superávit de 0,7% do PIB.

"A situação fiscal do Brasil e os desafios são bem entendidos", afirmou. De acordo com o ministro, o governo enviou ao Congresso a proposta de Orçamento de 2016 com déficit "para mostrar a necessidade de deixar um caminho para garantir que o Orçamento seja compatível com a meta da LDO, de 0,7% do PIB". O objetivo, de acordo com Levy, será alcançado com processo de consulta ao Congresso. 

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