Ryan Donnell/The New York Times
Ryan Donnell/The New York Times

Agricultor que elegeu Trump sai prejudicado

Produtores de soja votaram no republicano,mas podem ser afetados por guerra comercial

Caitlin Dewey, The Washington Post

07 Abril 2018 | 05h00

Bret Davis votou em Donald Trump em 2016, como muitos dos seus colegas agricultores de Ohio. Mas como a guerra comercial com a China ameaça as exportações americanas, Gordon teme que sua fazenda, já na quinta geração, possa ser afetada.

A fazenda, onde ele e seu genro possuem uma plantação de soja, milho e trigo, que abrange mais de 520 hectares, poderá não fazer frente à queda dos preços por um longo tempo, o que pode ocorrer com essa guerra comercial. E, embora defenda o objetivo do presidente de tornar o comércio exterior mais equilibrado, ele está cada vez mais preocupado que a estratégia adotada por Trump prejudique os americanos da zona rural que o ajudaram na eleição.

Os condados produtores de soja votaram em Trump por uma margem de mais de 12 pontos porcentuais, segundo análise do Washington Post. Mas, na quarta-feira, Davis e milhares de agricultores receberam a notícia de que a China havia imposto tarifas retaliatórias sobre a soja, o milho e outras colheitas no âmbito da guerra comercial lançada pelo presidente.

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“A maneira como ele está conduzindo isso não é a que adotaríamos”, disse Davis. “Primeiro, iríamos negociar, e não apenas impor tarifas. Mas o modo de Trump lidar com as coisas é colocar em prática o que deseja para depois conversar a respeito. Isso funciona em alguns casos”, acrescentou. Como muitos agricultores que cultivam soja em larga escala, a empresa de Davis depende muito dos mercados externos. A China compra 60% de todas as exportações de soja dos Estados Unidos, para alimentar suas criações de porcos, peixes e frangos.

A forte demanda tornou a soja uma fonte de lucro para os agricultores numa época em que os preços de muitos outros plantios estão em queda. Mas as tarifas agressivas estabelecidas por Trump contra produtos chineses com o fim de proteger a propriedade intelectual e o setor de manufatura dos Estados Unidos provocaram ações de retaliação que ameaçam a lucratividade dos agricultores.

Na fazenda de Bill Gordon, a sudoeste de Minnesota, as inquietações são similares. Gordon planta milho e soja. Como o milho não dá lucro, a soja era sua “estrela guia”. Mas a queda de 40 centavos de dólar no preço aniquilou suas margens.

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