Agricultura acende sinal de alerta com UE-Mercosul

Para tentar fechar a parceria ainda este ano, o Brasil estaria disposto a aceitar que as atuais análises de risco sejam substituídas pelo que se chama de 'percepção de perigo'

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 05h57

O Ministério da Agricultura acendeu o sinal de alerta com a possibilidade de serem adotadas barreiras não tarifárias para produtos agrícolas nas negociações para o acordo comercial União Europeia-Mercosul. Para tentar fechar a parceria ainda este ano, o Brasil estaria disposto a aceitar que as atuais análises de risco – estudos técnicos e sanitários para regrar o comércio de produtos agropecuários – sejam substituídas pelo que se chama de “percepção de perigo”. Ou seja, no caso da mudança, bastaria ao consumidor europeu reprovar determinado produto alegando risco sanitário para dar início a um processo que culmine em barreiras. Em Brasília, na semana passada, o ministério avisou o agronegócio e o Congresso que já perdeu a batalha interna nas negociações sobre o tema.

Só os grandes. O MUFG, mais conhecido como Banco de Tokyo, tem planos robustos para o agronegócio brasileiro. Com atuação discreta no País há quase um século, aposta em empresas do setor com faturamento acima de R$ 1 bilhão como estratégia de crescimento na América Latina. A meta é dobrar a carteira na região, de US$ 1,2 bilhão em 2017 para US$ 2,5 bilhões em 2020, conta à coluna Victor Carneiro, diretor de Agribusiness.

O líder. O Brasil entra com 90% do montante atual, conta Carneiro. A ideia é, além de aumentar a participação nos negócios dos atuais 21 clientes do segmento, atrair pelo menos outras 24 megaempresas. O principal produto oferecido ao agronegócio são linhas de financiamento das exportações.

Passou batido. Pouca atenção foi dada a uma informação na página 25 do balanço da Yara referente ao 3.º trimestre de 2017, divulgado há uma semana. Em setembro, o Tribunal de Justiça paulista considerou a Yara e mais 22 empresas responsáveis pela poluição ambiental e os danos à Serra do Mar nas décadas de 1970 e 1980 decorrentes da emissão de poluentes em Cubatão (SP).

Poupança. A conta dos danos ainda está sendo calculada, mas a Yara Global já fez provisão de 12 milhões de coroas norueguesas, ou R$ 4,8 milhões. A empresa não tinha operações em Cubatão na época, mas sim a Adubos Trevo, adquirida em 2000. À coluna, a Yara afirma entender que os danos “já foram devidamente reparados”, que atua licenciada na região e recorrerá da decisão. 

Bons ventos. A demanda de Argentina, Rússia e Colômbia por máquinas e implementos agrícolas vem impulsionando as exportações brasileiras, conta Pedro Bastos, presidente da Câmara Setorial da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Até setembro, o País faturou US$ 661,5 milhões com vendas externas do setor, alta de 81% ante os primeiros nove meses de 2016.

Tirando o atraso. Na Argentina, menos entraves à importação vêm permitindo aos produtores renovar a frota. A Rússia aumentou as compras de US$ 627 mil no ano passado para US$ 16 milhões até julho de 2017, após as sanções dos EUA e da União Europeia. Já na Colômbia, cidadãos de áreas antes controladas pelas Forças Revolucionárias, as Farc, vêm se dedicando à agricultura, diz Bastos.

Freio gasto. A tarifa de até 20% imposta em agosto sobre o etanol importado não conseguiu frear a entrada do biocombustível no Brasil, proveniente sobretudo dos Estados Unidos. Em setembro as compras subiram 103% ante igual período de 2016, para US$ 56,7 milhões. Nos nove primeiros meses do ano, as aquisições externas dispararam 256% ante igual intervalo de 2016, para US$ 793,8 milhões. 

Luz no fim do túnel. Em época de crise energética e de bandeira vermelha na conta de luz, o setor sucroenergético, grande produtor do insumo em térmicas à base de bagaço de cana-de-açúcar, é sempre lembrado. Integrante do Ministério das Minas e Energia nota, por exemplo, que usinas de cana de São Paulo poderiam usar gás natural e ampliar a produção de energia, restrita hoje aos cinco ou seis meses da safra.

Os cogitados... A bancada ruralista saiu de recente encontro com o prefeito de São Paulo, João Doria, com a certeza de que outro tucano, o governador Geraldo Alckmin, teria o apoio do setor caso decida se candidatar ao Planalto. Fora do PSDB, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) também tem simpatia desses parlamentares, assim como teria o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. 

...e o dos sonhos. Mas a candidatura unânime seria a do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que estaria, porém, mais inclinado ao governo goiano.

Desta vez vai? A duplicação da capacidade do Tegram, terminal no Porto de Itaqui (MA) administrado por CGG, Glencore, NovaAgri e Amaggi e Louis Dreyfus com Zen-Noh, pode sair em 2018. Fonte diz que a capacidade máxima, de 5 milhões de toneladas, foi quase atingida. A diretoria do Tegram deve discutir o assunto em 2018 e há possibilidade de as obras começarem no mesmo ano. Em março de 2016, o consórcio disse ao Broadcast Agro que iniciaria as obras no 2.º semestre.

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