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Alcançando a águia: quando a China vai ultrapassar os EUA

Economist.com

27 Agosto 2014 | 08h 51

Infográfico interativo permite que leitor mude projeções para os indicadores econômicos e veja o resultado no crescimento chinês e americano

Há menos de dois séculos, a China era de longe a maior economia do mundo. O país era responsável por mais de 30% do PIB mundial em 1820, de acordo com as estimativas de Angus Maddison, economista já falecido. Essa parcela diminuiu no século XIX conforme a Revolução Industrial impulsionou a Europa e os Estados Unidos ascendiam. O século XX foi ainda pior para a China, trazendo a invasão, guerra civil e a implementação do comunismo.

INFOGRÁFICO: Mude as cinco projeções no gráfico (PIB e inflação da China e EUA e valorização do iuan), clique em "Apply" e veja o resultado nas economias

Graças a furiosos 35 anos de reformas de mercado, é apenas questão de tempo para que a China recupere seu posto de maior economia de todas. A reportagem publicada na revista The Economist - “O que a China deseja” - defende que o país almeja também o respeito que já lhe foi atribuído, mas não sabe como conquistá-lo. Em contraste, o caminho da China para se tornar a maior economia mundial é muito mais claro.

Em dezembro de 2010, a revista publicou um gráfico interativo que permite fazer uma previsão de quando a economia da China vai ultrapassar a dos EUA. Há muitas maneiras de se comparar economias. A tabela acima analisa o PIB dos dois países em dólares e taxas de câmbio atuais. Assim, parece que o ritmo da ascensão chinesa depende de cinco pontos: o crescimento do próprio país, o crescimento dos EUA, a evolução dos preços em cada país e a taxa de câmbio entre eles. Se os preços na China aumentarem mais rápido do que nos EUA e o iuan, a moeda chinesa, não apresentar queda, então a economia chinesa será valorizada ante a americana, ultrapassando-a mais rapidamente. 

Quando o gráfico foi apresentado pela primeira vez em 2010, foi incluído um conjunto de suposições padrão para a década seguinte. Cálculos apontaram um crescimento médio de 7,75% na China nos dez anos subsequentes, chegando a 2,5% nos EUA. Para a inflação, foi projetada uma alta média de preços de 4% na China e de 1,5% nos EUA. A publicação também projetou o iuan valorizado em 3% ao ano, em média. Com base nesse conjunto de suposições, a China ultrapassaria os EUA já em 2019*. Quatro anos já se passaram desde que esta previsão foi feita. Então, como ela se saiu? Honrando a transparência que se espera dos aspirantes a videntes da economia, a The Economist admite que errou, mas por pouco. Parece agora que os EUA serão superados dois anos depois do inicialmente previsto. 

O crescimento dos EUA ficou um pouco abaixo do esperado, mas a inflação foi mais alta, e com isso a projeção inicial para o país passou bem perto da realidade. A margem de erro deveria ser maior no caso da China, levando-se em consideração a velocidade com a qual o país tem se desenvolvido. A publicação quase acertou a previsão do crescimento, embora agora tenha revisto para 7% a expectativa de crescimento anual para o restante da década, conforme a economia amadurece. A maior surpresa foi a interrupção na valorização do iuan este ano - uma política determinada pelo governo, e não pelo mercado - e a acentuada queda na inflação com a queda nos preços do produtor. Um oscilante excedente comercial ainda aponta para um iuan fortalecido e, por isso, a projeção de uma valorização sustentada, mas essa curva ascendente deve ocorrer em saltos e choques. 

Quanto à inflação, o excesso de capacidade industrial continua a ser um problema, mas trata-se de algo que o sistema está superando gradualmente; a revista diminuiu a previsão para 3%. As expectativas da The Economist foram inseridas no gráfico acima como suposições padrão. O leitor pode mudar os cinco parâmetros de acordo com as suas próprias previsões e ver o resultado. Ao refazer os cálculos, agora parece que 2021 será o ano em que a China retomará o posto de maior economia do mundo. A revista afirma que o cálculo não é infalível. A única certeza é que arredondando as datas, a economia chinesa precisou de dois séculos para voltar ao topo do mundo. 

* Quando a tabela foi aualizada em dezembro de 2011, as mesmas suposições indicaram que a China superaria os EUA um ano antes, em 2018. Tal projeção chamou muita atenção. 

© (2014) The Economist Newspaper Limited. Todos os direitos reservados.

Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com