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Alta da arroba bovina persistirá no 2º semestre, diz pecuarista

FABÍOLA GOMES - REUTERS

29 Agosto 2014 | 17h 13

Demanda crescente, sobretudo no mercado externo, contribui para manter os preços da arroba em níveis elevados

Divulgação
A arroba só deve ceder com a entrada do boi de pasto, após a recuperação das pastagens com a chegada das chuvas

A forte alta no mercado bovino brasileiro, com a arroba caminhando para níveis recordes, deverá ser mantida durante o segundo semestre, perdurando até a temporada chuvosa, com uma baixa oferta de animais prontos para o abate, disse o representante de uma importante associação de pecuaristas.

Os preços da arroba estão próximos do maior patamar do ano no mercado físico de São Paulo. Segundo o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a arroba atingiu 127,56 reais na quinta-feira, perto do recorde nominal do final de março, de 127,77 reais.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Claudio Paranhos, a arroba só deve ceder com a entrada do boi de pasto, após a recuperação das pastagens com a chegada das chuvas e a melhora da oferta de animais prontos para abate.

"O confinamento não vai interferir no processo de estancar esta alta", disse Paranhos em entrevista à Reuters, explicando que a entrada de animais engordados em cocho --e não no pasto-- no mercado não terá impacto relevante.

O sistema de confinamento representa apenas de 10 por cento do abate total no país, mas como o boi confinado entra em um período concentrado acaba contribuindo para um eventual recuo dos preços.

Paranhos observou ainda que os contratos futuros da arroba na BM&FBovespa já indicam preços acima de 130 reais a partir do contrato outubro, o que indica a firmeza desse mercado.

"Ela (arroba) vai começar talvez a estabilizar e ceder um pouquinho quando voltar a safra normal de gado de pasto e de oferta de animais", destacou.

Ele acrescentou que isso deve ocorrer entre dezembro e fevereiro, quando a tendência é que se tenha uma retração de preços. Ainda assim, ele acredita que o recuo será pequeno.

Demanda em alta.  No período de entressafra, quando os pastos perdem o vigor nutricional pelo tempo seco, a indústria conta com a oferta dos animais engordados em sistemas fechados --no confinamento-- para cumprir suas escalas de abate.

Mas a pouca disponibilidade de animais prontos para abate, em meio a uma demanda crescente, sobretudo do mercado externo, vem mantendo os preços da arroba em níveis elevados e leva frigoríficos a trabalharem com escalas reduzidas.

"A escala vai continuar reduzida por pouca oferta de boi. Se não chove, não tem mágica", disse Paranhos. "Muita boiada de pasto não chegou este ano, então o preço não baixou. Então quando começou a chegar o gado de confinamento --que está sendo bastante abatido agora-- também não teve espaço para baixar."

A arroba chegou a ceder um pouco, mas voltou a subir recentemente refletindo a perspectiva de aumento da exportação, após decisão da Rússia de importar mais carne do Brasil em retaliação aos países que aplicaram sanções por conta da crise da Ucrânia.

O setor tem visto uma demanda internacional crescente pela carne bovina, com expectativas de embarques e receitas recordes para este ano.

"E não é só da Rússia que esta demanda virá. O mundo todo quer carne do Brasil", disse Paranhos, lembrando que Estados Unidos e Austrália --dois importantes fornecedores-- enfrentam reduções nos seus rebanhos.

Ele lembrou que, além da Rússia, a China é um mercado de grande potencial, onde os níveis de consumo são muito baixos se comparados a consumidores como o Brasil.