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Alta da energia à indústria elimina desconto do governo

Daniela Amorim - O Estado de S. Paulo

07 Julho 2014 | 19h 02

Cálculos da Firjan apontam que o preço da energia paga pelo setor industrial deve encerrar o ano 3% acima do registrado em dezembro de 2012, antes da redução na tarifa concedida pela MP 579

Uma das principais bandeiras do governo Dilma Rousseff, a redução de 20% na tarifa de energia para a indústria concedida em janeiro de 2013 já estará completamente eliminada ao fim do mandato da presidente, segundo cálculos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Desde o início do ano, a energia elétrica já ficou 7% mais cara para a indústria nacional, subindo para R$ 313,2 por megawatt-hora (MWh).

O valor é 144% mais alto do que a média paga pelo setor industrial nos Estados Unidos, por exemplo. Mas a expectativa é que possa atingir R$ 342,7/MWh em dezembro de 2014, 3,1% acima do registrado em dezembro de 2012, antes da redução na tarifa concedida pelo governo por meio da Medida Provisória 579.

"Quando entrar o regime de bandeiras tarifárias (sistema que repassará ao consumidor a partir do ano que vem os gastos do acionamento de usinas térmicas), o custo da energia para a indústria vai ficar ainda mais alto", alerta a especialista em Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan, Tatiana Lauria.

A Firjan estima que os reajustes das tarifas se mantenham na casa dos 17% no ano que vem, o que resultaria num custo da energia de R$ 420,2/MWh para a indústria ao fim de 2015, com a entrada em vigor do sistema de bandeiras tarifárias. O cenário ainda é otimista, porque prevê condições climáticas e hidrológicas favoráveis, que permitam um baixo acionamento das térmicas. Ou seja, apesar dos esforços do governo para aumentar a competitividade da indústria nacional, a energia elétrica ainda estará 59,8% mais cara ao fim do ano que vem, em relação a janeiro de 2013, quando foi concedido o desconto.

A crise energética, que fez explodir os preços do insumo no mercado livre, pode ter contribuído para o mau desempenho da indústria este ano. Setores eletrointensivos, como o de papel e celulose, concluíram ser mais vantajoso paralisar a linha de produção e revender a energia aproveitando os preços mais elevados, aponta o economista Ricardo Buratini, gerente de Estudos e Economia do Departamento de Planejamento e Gestão de Mercado do Grupo CPFL Energia.

O grupo CPFL registrou uma queda de 0,4% no consumo industrial de energia no primeiro trimestre de 2014, após a alta de 2% em 2013. Buratini reconhece que parte do recuo no consumo pode ser consequência da menor demanda por produtos ou ajuste nos estoques. Mas ressalta que o desempenho da produção por si só não costuma causar grandes oscilações no consumo industrial. "A gente não consegue precisar o peso da cada fator (para a redução no consumo). Mas o pessoal de papel e celulose, por exemplo, não está com um mercado tão fraco assim, tiveram que importar para atender à demanda", contou Buratini.

Produção. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a produção do setor de papel e celulose recuou 1,4% de janeiro a maio, segundo a Pesquisa Industrial Mensal. Procuradas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Klabin e Suzano não quiseram se pronunciar sobre uma possível venda de energia em detrimento da produção de celulose. Já a Fibria negou que o movimento tenha ocorrido na empresa e informou que a produção de celulose totalizou 1,3 milhão de toneladas no primeiro trimestre, alta de 1% ante o mesmo período de 2013.

Além de papel e celulose, também teriam optado por parar a produção de bens para vender energia segmentos como siderurgia e automobilismo. Segundo o IBGE, a produção da atividade de metalurgia acumula uma queda de 3,4% no ano, puxada pela menor fabricação de produtos siderúrgicos, enquanto o setor de veículos automotores despenca 12,5%, com queda em 86% dos produtos investigados.

A Firjan reconhece que houve queda no consumo industrial de energia. Segundo Tatiana, como o custo está muito acima do patamar internacional, há risco de que o País perca indústrias intensivas em energia. "Ela pode preferir produzir em outro local", comentou, lembrando ainda a dependência no País da energia térmica, mais cara. "Estamos indo por esse caminho, que temos que repensar."

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