André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Alta do dólar impacta endividamento da Petrobrás, diz ministro

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que o endividamento atrelado ao dólar é um desafio a mais para a estatal

Eduardo Rodrigues , O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 14h59

Atualizado às 15h55

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que a alta do dólar tem tido um impacto significativo no endividamento da Petrobrás e é um grande desafio que a empresa terá que enfrentar. Por outro lado, ele disse esperar que a cotação da moeda americana se acomode nas próximas semanas devido ao sucesso do governo em votações no Congresso Nacional. 

"A Petrobrás tem um desafio maior que outras empresas, como as de energia, porque o seu endividamento está atrelado ao dólar. Mas confiamos em uma acomodação da moeda devido às votações no Congresso. A maioria dos vetos foi mantida ontem e essa é uma sinalização positiva para o mercado", avaliou o ministro. 

Braga lembrou que a alta do dólar é ainda mais prejudicial à Petrobrás porque ocorre em um momento no qual o preço do barril de petróleo está reduzido, abaixo dos US$ 50,00. "É um desafio, mas a curva de produção da Petrobrás está robusta. Além disso, há um certo ganho com o dólar porque estamos conseguindo exportar gasolina graças ao aumento da produção de etanol e à queda na demanda interna dos combustíveis", concluiu.

Refinarias. De acordo com o ministro Eduardo Braga, o cenário econômico e a situação financeira da Petrobrás levaram a estatal a cancelar a construção das refinarias Premium I e II nos Estados do Maranhão e do Ceará. Segundo ele, o impacto da Operação Lava Jato nas decisões sobre o empreendimento teria sido apenas "relativo". 

"O cenário do setor de petróleo no mundo hoje é completamente diferente do verificado há alguns anos. O barril de petróleo caiu para cerca de US$ 40 e apresenta grande volatilidade. As negociações sobre o programa nuclear com o Irã podem derrubar sanções contra o país e isso aumentaria em muito a oferta mundial, impactando ainda mais o preço do óleo", afirmou Braga à comissão externa da Câmara dos Deputados que apura o cancelamento da construção das refinarias.

Segundo o ministro, a produção de petróleo no País deverá continuar crescendo nos próximos anos a despeito das dificuldades atuais da Petrobrás. Apesar da atual queda na demanda por combustíveis no Brasil, Braga afirmou que o mercado deve voltar a crescer a partir de 2017 e 2018. Ele reiterou a importância do setor de refino de petróleo para o País. "Uma refinaria para operar em 2024 precisa iniciar o seu projeto no curto prazo", completou.

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